A vacinação contra a dengue com o imunizante Butantan-DV, desenvolvido pelo Instituto Butantan, foi temporariamente suspensa no Tocantins. A medida, anunciada pela Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) nesta terça-feira (9), segue orientação direta do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Suspensão cautelar após mortes suspeitas
De acordo com o governo federal, a suspensão foi motivada pelo registro de duas mortes suspeitas entre os vacinados. Até 30 de maio, foram aplicadas 500 mil doses da vacina no país, com 42 casos de reações adversas severas, apresentando sinais compatíveis com dengue grave. No Tocantins, 12.266 doses já foram administradas na população-alvo da estratégia de imunização.
Reações leves também são monitoradas
A SES-TO informou que foram notificados alguns casos de reações adversas leves após a aplicação, já previstos pelo sistema de vigilância em saúde e com características descritas para o imunizante. Esses registros permanecem sob avaliação do Ministério da Saúde.
Especialista explica caráter preventivo
O médico infectologista Rafael Nogueira, do Tocantins, explicou em entrevista à TV Anhanguera que a medida é preventiva e faz parte dos protocolos normais de segurança. “Toda vacina ou medicação passa por estudos para liberação, mas existe a farmacovigilância. Os órgãos responsáveis precisam estar atentos aos efeitos colaterais e às repercussões quando a vacina está sendo aplicada à população em geral”, afirmou.
Rafael destacou que a interrupção serve para investigar se os casos têm relação direta com o imunizante. Ele lembrou que a vacina do Butantan representa um avanço por ser a primeira fabricada no Brasil, com alta proteção em estudos clínicos: “Ela teve mais de 76% de eficácia na prevenção contra os tipos de dengue e 100% de eficácia contra mortes”.
Suspensão atinge apenas Butantan-DV
A suspensão atinge exclusivamente a vacina do Instituto Butantan. Imunizantes como a Qdenga (do laboratório japonês Takeda) continuam sendo aplicados normalmente nas redes pública e privada.
Orientações para quem já recebeu a dose
Para quem recebeu a Butantan-DV e apresentou sintomas, a recomendação é procurar a unidade onde foi imunizado. Reações como vermelhidão, dor no local, febre ou calafrios podem ser consideradas leves e esperadas. “Vacinas sozinhas não fazem nada; nós precisamos que a nossa imunidade faça a nossa proteção. Ela funciona como uma isca para ensinar o organismo a trabalhar a nosso favor”, detalhou o infectologista. Ele reforça que qualquer reação deve ser comunicada à Unidade Básica de Saúde (UBS) para monitoramento.
Nota da SES-TO
A SES-TO informou que segue as orientações do Ministério da Saúde e adotará as próximas medidas estabelecidas pelo órgão federal. A secretaria esclareceu que os casos adversos leves notificados estão dentro do esperado e seguem em avaliação.
Nota do Instituto Butantan
O Instituto Butantan emitiu nota informando que a interrupção é preventiva para reavaliação da estratégia vacinal. “A orientação ocorre em razão de alguns casos de reação adversa detectados, três deles com sinal de gravidade, em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados, que podem ou não estar relacionados à vacinação”, diz o texto. O instituto ressalta que a vacina teve eficácia global de 79,6% e 89% contra dengue grave em estudo publicado em revista científica internacional. Nos municípios de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), onde houve vacinação em massa, o acompanhamento de farmacovigilância foi positivo, sem casos importantes de reação adversa. O Butantan reafirma seu compromisso com a ciência e a saúde da população, fornecendo todas as informações disponíveis e realizando novos estudos.



