Um procedimento inovador para remover o acúmulo de cálcio das artérias do coração foi realizado pela primeira vez no interior de São Paulo, conforme informou o Instituto do Coração (Incor) de Presidente Prudente. A técnica, denominada aterectomia orbital, foi empregada por especialistas da Santa Casa de Presidente Prudente e é considerada uma das tecnologias mais avançadas do mundo para o tratamento de lesões coronárias calcificadas.
Primeiro procedimento no interior paulista
O procedimento foi realizado em um paciente diagnosticado com doença arterial coronariana, condição caracterizada pelo acúmulo de placas nas artérias que irrigam o coração. Com o tempo, essas placas podem se calcificar e endurecer, reduzindo o fluxo sanguíneo e aumentando a complexidade do tratamento, além de elevar o risco de complicações cardiovasculares. A aterectomia orbital é indicada justamente nesses casos.
A técnica utiliza um dispositivo revestido por partículas de diamante que gira em alta velocidade dentro da artéria, desgastando as placas calcificadas e reduzindo sua rigidez. Dessa forma, o vaso sanguíneo fica mais preparado para receber outros tratamentos.
Resultado positivo e recuperação rápida
Após a aterectomia orbital, a equipe do setor de Hemodinâmica concluiu o tratamento com angioplastia coronária e implante de stent, uma pequena prótese usada para manter a artéria aberta e restaurar o fluxo sanguíneo. De acordo com o Instituto do Coração, o resultado foi positivo e o paciente permaneceu apenas 24 horas em observação em leito de enfermaria, sem necessidade de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), recebendo alta hospitalar em seguida.
O que é a aterectomia orbital?
A doença arterial coronariana é uma das principais causas de morte no mundo e ocorre quando placas de gordura se acumulam nas artérias responsáveis por irrigar o coração. Ao longo dos anos, essas placas podem sofrer calcificação, tornando-se rígidas e dificultando a passagem do sangue. Nesses casos, os pacientes podem apresentar sintomas como dor no peito, falta de ar, cansaço aos esforços e, em situações mais graves, sofrer um infarto.
O tratamento mais comum é a angioplastia coronária, realizada por meio do cateterismo cardíaco e implantação de stents. Entretanto, quando as placas apresentam grande quantidade de cálcio, a expansão adequada dos dispositivos pode se tornar um desafio técnico, aumentando o risco de complicações e comprometendo os resultados do procedimento. A aterectomia orbital foi desenvolvida para esses casos.
A tecnologia modifica as placas calcificadas e prepara a artéria para a angioplastia, permitindo melhor expansão dos stents e aumentando as chances de sucesso do tratamento.



