Cresce a preferência pelo cuidado domiciliar de idosos
O atendimento domiciliar para idosos tem se tornado uma escolha cada vez mais comum entre as famílias brasileiras. Dados recentes indicam que o número de famílias que optam por cuidar dos seus entes queridos em casa cresceu 30% nos últimos dois anos, segundo a Associação Brasileira de Home Care (ABHC). A tendência reflete uma busca por mais conforto, segurança e qualidade de vida para a terceira idade.
Motivações por trás da escolha
De acordo com a ABHC, cerca de 70% dos idosos preferem permanecer em suas residências a serem institucionalizados. "O lar representa um ambiente de memórias afetivas e autonomia, o que impacta positivamente na saúde mental e física do idoso", afirma a geriatra Dra. Maria Silva. Além disso, o custo do atendimento domiciliar pode ser até 40% menor que o de uma internação hospitalar prolongada, conforme estudo da Universidade de São Paulo.
Outro fator relevante é a personalização do cuidado. Em casa, é possível adaptar a rotina às necessidades específicas do idoso, incluindo alimentação, horários de medicação e atividades de lazer. "Cada idoso é único, e o atendimento domiciliar permite uma abordagem individualizada que muitas vezes não é possível em instituições", complementa a especialista.
Desafios e soluções
Apesar dos benefícios, o cuidado domiciliar impõe desafios, como a necessidade de adaptação do espaço físico e a capacitação dos cuidadores. Muitas famílias recorrem a empresas especializadas em home care, que oferecem desde equipamentos hospitalares até profissionais de enfermagem 24 horas. O mercado de home care no Brasil movimenta cerca de R$ 15 bilhões por ano, com crescimento anual de 12%, segundo a consultoria Frost & Sullivan.
"A tecnologia tem sido uma aliada importante, com dispositivos de monitoramento remoto e telemedicina que permitem acompanhamento médico constante", destaca o engenheiro clínico Carlos Pereira. A pandemia de Covid-19 acelerou essa digitalização, com um aumento de 50% no uso de serviços de telemedicina para idosos em casa.
Impacto na qualidade de vida
Estudos mostram que idosos atendidos em casa apresentam menor taxa de depressão e declínio cognitivo mais lento. Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apontou que 85% dos familiares relataram melhora no bem-estar do idoso após a adoção do atendimento domiciliar. "Ver meu pai sorrindo todos os dias, no ambiente que ele ama, não tem preço", relata a cuidadora familiar Ana Beatriz, de 52 anos.
O conforto emocional também se estende à família, que se sente mais participante do processo de cuidado. "Saber que estamos fazendo o melhor pelo nosso ente querido, dentro de casa, reduz a culpa e o estresse", afirma o psicólogo familiar Dr. João Santos.
Perspectivas futuras
Especialistas preveem que o atendimento domiciliar continuará crescendo, impulsionado pelo envelhecimento populacional. O Brasil tem mais de 30 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, número que deve dobrar até 2050, segundo o IBGE. "Precisamos de políticas públicas que incentivem o home care, com subsídios e regulamentação adequada", defende a coordenadora do programa de Saúde do Idoso do Ministério da Saúde, Dra. Fernanda Costa.
Iniciativas como o programa "Melhor em Casa", do SUS, já atendem milhares de famílias, mas a demanda supera a oferta. A expectativa é que o setor privado e o público se unam para expandir o acesso, garantindo que mais idosos possam envelhecer com dignidade em seus lares.



