Anvisa pode aprovar oito novas canetas de liraglutida e semaglutida até o fim do ano
Anvisa pode aprovar oito novas canetas até o fim do ano

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pode aprovar até o fim do ano o registro de oito novas canetas de liraglutida e semaglutida para tratamento do diabetes tipo 2, segundo o diretor-presidente da agência, Leandro Safatle. Uma das análises já está mais avançada e deve ser concluída ainda neste mês, conforme afirmou o executivo em conversa com jornalistas nesta terça-feira, 4.

Ampliação da concorrência e redução de preços

Safatle destacou que a Anvisa tem intensificado o ritmo de avaliação dos remédios com o objetivo de ampliar a quantidade de produtos disponíveis no mercado e facilitar o acesso, reduzindo assim a busca por substâncias irregulares. "Um dos problemas que estavam sendo encontrados era o alto preço dessas canetas. Quando você amplia a concorrência com novos entrantes regularizados, isso gera uma redução de preço e ampliação do acesso", avaliou, enfatizando que apenas produtos com eficácia e segurança comprovadas têm o registro aprovado.

Novos registros e produtos em análise

Na semana passada, a Anvisa registrou cinco novas canetas de semaglutida, princípio ativo do Ozempic. Os medicamentos análogos aprovados são: Orsema, da Ranbaxy; Owozy, da Ávita Care; Seemasun, da Sun Pharma; Semavy, da Cosmed; e Zempneo, da Brainfarma. Agora, estão em análise quatro processos de medicamentos à base de liraglutida e outros quatro de tratamentos à base de semaglutida. Há ainda cinco processos cuja análise deve ser iniciada em 2027.

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Brasil como mercado de destaque

Atualmente, o Brasil tem 21 canetas autorizadas, incluindo medicamentos à base de semaglutida, liraglutida e tirzepatida (Mounjaro). De acordo com Safatle, a ampliação das opções coloca o Brasil como um dos principais mercados de agonistas de GLP-1. "O Brasil tem tudo para ser o mercado com maior concorrência do mundo no segundo semestre", afirmou, "pelo número de opções que teremos regularizadas aqui no País".

Acordo com o Paraguai e combate ao contrabando

Na tentativa de reduzir o contrabando e o uso de produtos irregulares, a Anvisa também vai assinar um acordo com a agência regulatória do Paraguai para que os dois países possam compartilhar informações a respeito dos medicamentos. Dados da alfândega da Receita Federal de Foz do Iguaçu mostram que a apreensão de remédios dessa classe aumentou cerca de 1.000% em um ano.

Novas regras para importação e manipulação

A Anvisa atua ainda na formatação de uma nova regra para importação e manipulação de canetas. Entre vários pontos, a agência quer exigir que as empresas respeitem critérios de qualidade para importação do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) e apresentem, por exemplo, o Certificado de Boas Práticas de Fabricação (CBPF) de onde o insumo foi produzido. Outro tópico é a criação de um sistema de vigilância para que farmácias de manipulação notifiquem eventos adversos ocorridos após o uso de canetas manipuladas.

Em maio, o diretor Thiago Campos pediu vista para analisar o caso, o que retirou a discussão da pauta das reuniões da diretoria colegiada. Na conversa com jornalistas, Safatle afirmou que a agência está colhendo novas informações sobre o tema antes de deliberar sobre a questão.

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