Um levantamento inédito do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado nesta terça-feira (4), mostra que mais da metade do efetivo da Polícia Militar do Acre é composta por sargentos. Dos 2.375 policiais militares da ativa no estado, 1.357 são sargentos, o equivalente a cerca de 57% de toda a tropa.
Perfil da tropa e déficit de efetivo
O estudo Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil, edição 2026, revela que o Acre segue entre os estados com os menores efetivos de policiais militares do país. Além dos sargentos, a corporação conta com 659 soldados, 103 subtenentes, 130 tenentes, 59 capitães, 4 majores, 18 tenentes-coronéis, 6 coronéis, 37 aspirantes a oficial e alunos, e apenas 2 cabos.
O efetivo total de 2.375 PMs representa uma ocupação de apenas 50,2% das vagas previstas em legislação estadual, que determina um contingente de 4.734 militares. O déficit é ainda mais grave na Polícia Civil, que possui 994 policiais civis, correspondendo a 56,8% das 1.750 vagas legais. Desses, 85 são delegados, 100 escrivães, 809 investigadores ou agentes e oito servidores de outras carreiras.
Polícia Técnico-Científica e Corpo de Bombeiros
Na Polícia Técnico-Científica, o Acre conta com 78 profissionais, sendo 51 peritos criminais, quatro médicos-legistas e 23 servidores de outras carreiras periciais. Segundo o levantamento, apenas Roraima, com 37 peritos, possui contingente menor. O Acre e o Amapá aparecem na sequência, ambos com 51 peritos criminais.
O Corpo de Bombeiros Militar possui 680 integrantes, dos quais 263 são sargentos, 231 soldados, 71 tenentes, 31 subtenentes, 26 capitães, três coronéis e 55 aspirantes a oficial e alunos.
Índices acima da média nacional
Apesar do baixo efetivo em números absolutos, o Acre aparece acima da média nacional na relação de policiais por mil habitantes. O estado registra 2,7 policiais militares por mil habitantes, contra média nacional de 1,9. Na Polícia Civil, o índice é de 1,1 policial por mil habitantes, superior à média brasileira de 0,5. Entre os bombeiros militares, a taxa é de 0,8 por mil habitantes, enquanto a média nacional é de 0,3.
Acre sem guarda municipal
O levantamento também mostra que o Acre permanece como um dos dois únicos entes da federação sem guarda municipal, ao lado do Distrito Federal. Enquanto isso, o efetivo dessas corporações cresceu 12,9% no país, passando de 95.175 agentes em 2023 para 107.457 em 2025. As guardas municipais já representam 13,1% de todo o efetivo da segurança pública brasileira, tornando-se a segunda maior força de segurança do país, à frente das Polícias Civis.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a expansão ocorre em meio às discussões da PEC da Segurança Pública, que pretende ampliar as atribuições das guardas municipais. A entidade alerta, porém, para a necessidade de maior controle e monitoramento dessas corporações, diante da ausência de um banco de dados nacional considerado confiável sobre sua estrutura e funcionamento.
O Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil foi elaborado com base em informações enviadas pelas secretarias estaduais de segurança pública e comparadas com os efetivos previstos na legislação de cada estado. O estudo não considera fatores como população, índices de criminalidade ou aposentadorias, limitando-se à comparação entre os efetivos existentes e aqueles estabelecidos em lei.



