Estudo revela que um em cada três jovens vê conteúdo de automutilação online
1 em cada 3 jovens vê automutilação online, diz estudo

A internet, com sua infinidade de finalidades, também se tornou um espaço de disseminação de conteúdos indesejados, como pornografia, discursos de ódio e preconceito. Além disso, algumas comunidades virtuais incentivam comportamentos nocivos e, muitas vezes, perigosos. É o caso de usuários do X (antigo Twitter) que se reúnem em torno da hashtag #shtwt, sigla em inglês para "self-harm Twitter" — "Twitter de automutilação", em tradução livre. Embora a rede social não possua um sistema de grupos semelhante ao do Facebook, os usuários formam comunidades informais ao redor de hashtags. Ao clicar nessa marcação ou em outras associadas, como #cutspo — "inspiração de corte", em tradução livre —, é possível encontrar adolescentes, em sua maioria meninas, compartilhando imagens de automutilação. Em algumas publicações, os usuários tentam esconder a prática dos mecanismos automáticos de moderação da plataforma ao afirmar que os ferimentos seriam "maquiagem".

Um em cada três jovens expostos a conteúdo de automutilação

A presença desse tipo de conteúdo é tão ampla que, segundo uma nova pesquisa da Universidade de Oxford, um em cada três adolescentes britânicos foi exposto a publicações sobre automutilação. Publicado na revista científica "Nature Mental Health", o estudo analisou dados da OxWell Student Survey, questionário respondido por mais de 32 mil adolescentes, com idades entre 11 e 18 anos, em diferentes regiões da Inglaterra.

"Perguntamos aos alunos sobre conteúdo de automutilação on-line, abordando três pontos: se eles haviam se deparado com conteúdo de automutilação on-line no último mês, com que frequência o viram e como o encontraram", explica Holly Bear, autora do estudo, em entrevista ao site MedicalXpress.

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A partir das respostas, os pesquisadores descobriram que 34,5% dos participantes relataram ter visto algum tipo de conteúdo sobre automutilação no mês anterior. Apenas um em cada quatro afirmou ter procurado esse material intencionalmente. "Faz parte do ambiente on-line cotidiano de muitos adolescentes. Notavelmente, a maior parte desse conteúdo não foi buscada", afirma a autora.

Frequência de exposição e associação com ansiedade e depressão

Dos quase 10 mil adolescentes que relataram alguma exposição, cerca de 20% afirmaram ter visto esse tipo de publicação diversas vezes. Outros 55% disseram ter encontrado o conteúdo uma ou duas vezes. Embora não tenha sido possível determinar uma relação de causa e efeito — isto é, se o acesso ao conteúdo provocou sofrimento psíquico —, os pesquisadores também analisaram sintomas de ansiedade e depressão entre os participantes.

Os adolescentes que buscaram intencionalmente esse material apresentaram uma associação mais intensa com sintomas depressivos. Já aqueles expostos de maneira passiva demonstraram maior associação com sintomas de ansiedade. "Trata-se de uma associação", alerta Bear: "Não há uma prova de que o conteúdo em si tenha causado esses resultados. É possível que jovens que já enfrentam dificuldades tenham maior probabilidade de se deparar com esse tipo de conteúdo ou de interagir com ele".

Mecanismos de segurança pouco eficientes nas redes sociais

Embora os pesquisadores não tenham tido acesso aos algoritmos das plataformas, os resultados indicam que as ferramentas de segurança utilizadas por redes sociais como X e TikTok não têm sido suficientes para impedir a disseminação de publicações sobre automutilação. O estudo sugere, especificamente, que as plataformas precisam considerar melhor os efeitos psicossociais dos conteúdos recomendados, principalmente quando os usuários são menores de idade.

Os achados reforçam a necessidade de políticas mais rígidas de moderação e de mecanismos que identifiquem e removam rapidamente esse tipo de conteúdo, além de oferecer suporte adequado aos jovens em situação de vulnerabilidade. A conscientização de pais e educadores também é fundamental para ajudar a identificar sinais de sofrimento e buscar ajuda profissional.

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