Tempestade histórica atinge Campinas com atividade elétrica recorde
A tempestade que atingiu a Região Metropolitana de Campinas (SP) na madrugada deste sábado (13) surpreendeu meteorologistas pela intensidade elétrica incomum. Dados do satélite GOES indicaram mais de 25 mil agrupamentos de flashes em apenas 10 minutos, por volta das 3h50. O meteorologista Bruno Bainy, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp, explicou que o índice estima a atividade elétrica das tempestades, mas não é uma contagem direta de raios. "É uma forma de mensurar. Tem relação com o número de raios, mas não é uma equivalência direta", esclareceu.
O especialista não forneceu um parâmetro de comparação, mas destacou que tempestades com esse nível de atividade elétrica são relativamente raras na região. Naquele momento, o índice na RMC era o maior do estado de São Paulo e, possivelmente, do Brasil. Isso indica uma tempestade mais intensa e com maior potencial para produzir raios, funcionando como um "termômetro" da força do evento.
Por que isso é importante?
Uma atividade elétrica tão intensa significa maior potencial para raios, que podem causar acidentes, interrupções no fornecimento de energia, danos a equipamentos elétricos e incêndios. A medição é feita pelo satélite GOES, posicionado a cerca de 36 mil quilômetros da Terra, que usa um sensor óptico para identificar clarões das descargas elétricas nas nuvens.
Como é feita a medição
O equipamento identifica clarões produzidos pelas descargas elétricas nas nuvens. Algoritmos contabilizam os flashes observados e os agrupam de acordo com a proximidade espacial e temporal. Esse cálculo gera um índice que permite estimar a atividade elétrica de uma tempestade. "Tudo se trata de estimativas. Os algoritmos contabilizam os flashes e os agrupam conforme a distância e o intervalo de tempo entre as ocorrências. Em nenhum dos casos temos uma contagem absoluta", afirmou Bainy. Os dados estão disponíveis na plataforma Labsat, do Cepagri, que mostra o agrupamento de raios das últimas duas horas.
Por que o índice foi tão alto?
Embora o fenômeno não seja inédito, Bruno destaca que uma atividade elétrica dessa magnitude não é frequente. A eletrificação das tempestades ocorre principalmente pela colisão entre partículas de gelo em diferentes camadas da nuvem. Correntes de ar muito fortes empurram as partículas para cima e para baixo, gerando acúmulo de energia elétrica e descargas. O elevado número de agrupamentos de flashes indica que a tempestade possuía uma estrutura organizada e energeticamente intensa. Durante o período analisado, a RMC concentrava uma das áreas de maior atividade elétrica do estado de São Paulo. A detecção por satélite à noite é mais eficiente, pois a ausência de luz solar reduz interferências.
Levantamento é importante para a meteorologia
Os índices elevados de agrupamentos de flashes são uma ferramenta crucial para monitorar a intensidade das tempestades em tempo real. Embora não contabilizem exatamente quantos raios ocorreram, os dados oferecem um retrato confiável da atividade elétrica atmosférica. "Quando a gente faz a previsão do tempo, a gente tem alguns parâmetros que nos ajudam a identificar a intensidade potencial dessa turbulência. Então, quando a gente coloca a chance de incidência de muitos raios, é porque a gente antecipa que essa turbulência vai estar muito intensa", explica Bainy. "Isso, geralmente, tem a ver tanto com a parte termodinâmica, que é o calor e umidade, mas muitas vezes depende mais da dinâmica e hidrodinâmica da atmosfera, que reforçam esses movimentos turbulentos."



