Tarcísio vê motivação política em greve da CPTM; sindicato nega
Tarcísio vê motivação política em greve da CPTM; sindicato nega

A greve dos ferroviários da CPTM, que paralisou as linhas 11, 12 e 13 na manhã desta terça-feira, ganhou contornos políticos. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, sugeriu que a paralisação teria motivação política, enquanto o sindicato da categoria rebateu, afirmando que a luta é por garantias de emprego após a concessão dos trens à iniciativa privada.

Greve afeta milhares de passageiros

Os trabalhadores cruzaram os braços e paralisaram o fluxo nas linhas 11, 12 e 13, que atendem a zona leste e o Alto Tietê, causando transtornos para milhares de passageiros. A estação São Miguel Paulista, uma das mais movimentadas, amanheceu com portões fechados e plataformas vazias, enquanto usuários tentavam encontrar alternativas de transporte.

De acordo com a CPTM, a circulação de trens foi suspensa logo no início da operação, por volta das 4h, e não há previsão de normalização enquanto durar a paralisação. A empresa informou que está disponibilizando ônibus de reforço nas estações, mas o sistema já opera no limite.

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Governador fala em 'interesse político'

Em entrevista a jornalistas, Tarcísio afirmou que a greve não tem justificativa técnica e que o movimento teria motivação política. "Essa greve tem um viés claramente político. O sindicato sabe que a concessão vai garantir os empregos, mas prefere criar obstáculos ao processo", declarou o governador, sem apresentar provas.

A fala do governador foi prontamente rebatida pelo Sindicato dos Ferroviários de São Paulo. Em nota, a entidade afirmou que a paralisação é uma resposta à falta de garantias formais de que os postos de trabalho serão mantidos após a concessão. "Nós não estamos fazendo política, estamos defendendo o emprego de milhares de famílias. O governador tenta desviar o foco do problema real", disse o presidente do sindicato, em contato com a reportagem.

Concessão gera insegurança

A concessão das linhas da CPTM à iniciativa privada é um dos pilares do plano de mobilidade do governo estadual, que promete modernizar o sistema e melhorar o serviço. No entanto, os ferroviários temem demissões em massa e a precarização das condições de trabalho.

Segundo o sindicato, cerca de 3 mil trabalhadores estão diretamente envolvidos na operação das três linhas paralisadas. Eles reivindicam que o edital da concessão inclua cláusulas que garantam a estabilidade no emprego por um período mínimo e a manutenção dos direitos trabalhistas.

Impacto no transporte

A paralisação atinge diretamente os usuários da Linha 11 (Luz–Estudantes), Linha 12 (Brás–Calmon Viana) e Linha 13 (Engenheiro Goulart–Aeroporto de Guarulhos), que juntas transportam cerca de 800 mil passageiros por dia. Muitos trabalhadores tiveram que buscar alternativas como ônibus, aplicativos de transporte ou até mesmo caronas.

Na estação Corinthians-Itaquera, a movimentação foi intensa, com filas nos pontos de ônibus e relatos de atrasos. A estudante Maria Silva, de 22 anos, contou que levou quase duas horas para chegar ao trabalho. "É um caos. A gente não tem informação, os ônibus estão lotados e ninguém sabe quando volta."

Próximos passos

O sindicato afirma que a greve é por tempo indeterminado e que só será suspensa após uma reunião com o governo estadual. Até o momento, não há negociação marcada. A CPTM, por sua vez, informou que vai recorrer à Justiça para decretar a ilegalidade do movimento e garantir a circulação dos trens.

Enquanto isso, os passageiros seguem reféns da indefinição. A expectativa é de que o impasse seja resolvido nas próximas horas, mas ninguém arrisca um palpite. O que se sabe é que a briga entre o governo e o sindicato está longe de terminar.

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