Tarcísio pede desculpas por roubos e promete ação
Tarcísio pede desculpas por roubos de celular em SP (20.06.2026)

Governador de SP pede desculpas por roubos de celular e reconhece falhas

Durante cerimônia de entrega de viaturas policiais, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pediu desculpas aos cidadãos que sofreram o trauma do roubo de celular, na capital ou no interior. Foi um gesto de inegável importância. Os paulistas vivem acossados pelo medo, e Tarcísio, com razão, demonstrou respeito pelo legítimo sentimento de insegurança de seus governados.

Trata-se de uma inflexão bem-vinda no discurso do chefe do Executivo paulista, que governa 46 milhões de habitantes e responde diretamente pela política de segurança pública do Estado. Até então, diante das queixas da população sobre a violência, o governo se limitava a notas protocolares, não raro escudado em estatísticas que apontavam queda nos índices de criminalidade. Opor a frieza dos números à angústia dos cidadãos era mais do que minimizar a dimensão real do problema – era uma afronta.

Ao que tudo indica, Tarcísio mostra-se mais sensível ao drama da população, o que merece reconhecimento. O governador admitiu que há “dor e trauma” num assalto; reconheceu que “o Estado tem de garantir a segurança” do povo e que, se não o faz, “está falhando”. Reconheceu ainda que o roubo de celulares “derruba a sensação de segurança” e que “o cidadão tem o direito de ficar em paz”.

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A paz, porém, é um direito que os paulistas – sobretudo os paulistanos – estão longe de usufruir plenamente. Reina o estado de alerta permanente: o temor de ser abordado por motoqueiros dispostos a levar celulares, alianças, joias, relógios e bolsas tornou-se rotina. A reação dos próprios moradores é eloquente: na Rua Lisboa, em Pinheiros, zona oeste da capital, uma faixa colocada por residentes e comerciantes alertava os passantes – “Cuidado! Trecho com alto índice de assalto por motoqueiros. Fiquem atentos!” –, evidência inequívoca de que o poder público deixou um vácuo que a comunidade tenta, por conta própria, preencher.

Não se trata de percepção distorcida. As pesquisas de opinião registram, há algum tempo, essa angústia difusa. Levantamento da Quaest aponta que 30% dos entrevistados indicam a violência como principal preocupação. Sondagem do Datafolha revela que 33,5% dos consultados afirmam deixar o celular em casa com receio de serem assaltados. São números que falam por si sós.

Ao pedir desculpas, Tarcísio parece ter finalmente se curvado à realidade. Parece ter compreendido que o sentimento da população é, tanto quanto os índices oficiais, um dado da realidade que deve orientar a formulação e a execução das políticas públicas de segurança.

O governador prometeu combater a receptação de celulares para conter a onda de roubos. A iniciativa é correta, mas insuficiente. Para que os cidadãos recuperem a sensação de paz, é preciso ir além: ampliar o efetivo policial nas ruas e reforçar os protocolos de cooperação entre a Polícia Militar e as prefeituras – em especial na capital –, somando esforços com as guardas municipais no enfrentamento ao crime. É a presença ostensiva dos agentes nas ruas que poderá, afinal, devolver ao cidadão o direito sagrado de andar em paz.

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