O rope jump, esporte radical que ganhou notoriedade após a morte de Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, em Limeira (SP), é praticado até mesmo com crianças. A falta de regulamentação federal permite que grupos informais comercializem saltos sem fiscalização, enquanto prefeituras tentam coibir a atividade em pontes e viadutos.
Prática com crianças gera polêmica
O instrutor Luís Felipe Feliciano Egoroff, um dos presos pela morte de Maria Eduarda, publicou em suas redes sociais ao menos cinco fotos ou vídeos de saltos com crianças. Nas imagens, Luís pula com os menores em seu colo, presos a ele por cordas e equipamentos, todos de capacete. Em um vídeo, uma criança de 9 anos pula sozinha, sem estar presa a um supervisor.
A defesa de Luís, representada pelo advogado Rafael Gomes dos Santos, afirma que os instrutores atuam há mais de seis anos sem qualquer incidente ou intervenção do poder público. Santos só se manifestará sobre os conteúdos com menores após falar com o cliente.
Associação recomenda idade mínima de 12 anos
O presidente da Associação Brasileira de Rope Jump e Pêndulo Humano, Marco Antonio de Campos, destaca que a falta de regulamentação impede regras específicas para menores. A entidade recomenda que saltos não sejam realizados por crianças abaixo de 12 anos. Entre 12 e 18 anos, exige-se autorização e presença dos responsáveis no local.
A associação, criada por empresas do setor, inclui a A Vida nas Cordas, que permite participação a partir dos 9 anos com autorização escrita e presença do responsável. Em seu perfil no Instagram, há vídeos de pulos com crianças na Ponte do Esqueleto, sempre amarradas nas costas dos instrutores. Elaine Deslandes, sócia da empresa, afirma que a equipe tem 9 anos de experiência, seguro aventura, bombeiro civil e enfermeiro em todos os eventos, e instrutores certificados com mais de 2 mil saltos.
Proibições municipais são ignoradas
Em São Paulo, a prefeitura proíbe saltos e esportes radicais no Viaduto Sumaré, mas empresas como Rope Trips, Aquelejump e Radical Trips continuam realizando a atividade. Um vídeo de 2020 mostra uma criança de 8 anos saltando no local. A Rope Trips justifica que o pai estava junto, sob responsabilidade dos pais, conforme o ECA.
A prefeitura afirma que o local é monitorado periodicamente pela Subprefeitura Lapa, com apoio da Guarda Civil, para coibir irregularidades. Marco Antonio de Campos, também diretor da Rope Trips, alega que o rope jump não está explicitamente proibido, pois as leis municipais mencionam rapel e bungee jump, criando uma zona cinzenta.
Legislação federal não proíbe, mas exige segurança
O Ministério do Esporte informou que rope jump, bungee jump e rapel não são proibidos no Brasil por falta de legislação federal. No entanto, a comercialização das atividades requer equipamentos adequados e capacitação dos profissionais. A pasta lista requisitos de segurança: avaliação de riscos, uso de equipamentos em perfeitas condições, protocolos de emergência, informações claras aos participantes, capacitação das equipes e cumprimento de normas técnicas brasileiras.
Em Limeira, a prefeitura afirma proibir o esporte desde janeiro de 2025 e adotou medidas como barreiras de alerta e uma barra de ferro na entrada da Ponte do Esqueleto para impedir o acesso de veículos. A gestão também acionou os órgãos federais responsáveis pela ponte.
Outras localidades, como a Pedreira do Dib (Mairiporã), Babylon Towers (São Bernardo do Campo) e Cachoeira Can Can (Ibaté), também registram a prática. A Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo esclarece que a regulamentação do turismo de aventura está na Lei Geral do Turismo e que o Código de Defesa do Consumidor serve como parâmetro para coibir serviços que tragam riscos à integridade do cidadão.



