O Rioprevidência, instituto de previdência do Estado do Rio de Janeiro, investiu R$ 118 milhões em três fundos de investimento cujas instituições financeiras gestoras e administradoras não estavam cadastradas junto à autarquia, contrariando portaria interna. O alerta foi feito pelo Comitê Fiscal do órgão em ofício enviado em 16 de março ao presidente interino Nicholas Cardoso, obtido pela GloboNews.
Segundo o Comitê Fiscal, os aportes ocorreram em dezembro de 2025, quando Nicholas ainda era diretor de investimentos. O primeiro, de R$ 8,2 milhões, foi no Linea Fundo de Investimento Financeiro Renda Fixa Prazo Longo. O segundo, de R$ 100 milhões, no R Cap Soberano FIF Renda Fixa Longo Prazo, e o terceiro, de R$ 10 milhões, no R Cap Alocação Fundo de Investimento Financeiro Renda Fixa Longo Prazo.
O documento aponta que as aplicações foram feitas sem que a gestora R Capital Asset Management estivesse credenciada — processo concluído apenas em 13 de janeiro deste ano. A administradora Inter Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários sequer havia solicitado credenciamento, segundo o Comitê. Já a distribuidora Qore, responsável por dois dos fundos, foi criada em 2024, tem histórico operacional limitado e foi citada em reportagens sobre operações com recursos de instituições sob investigação.
O Comitê Fiscal concluiu haver indícios de descumprimento de normas internas e potencial exposição do patrimônio previdenciário a riscos jurídico, operacional e reputacional. Sugeriu apuração formal dos fatos e adoção de providências. Não há resposta da presidência do Rioprevidência no processo eletrônico.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) já havia recomendado, em dezembro, o afastamento de Nicholas Cardoso e destacado a necessidade de credenciamento prévio para evitar fraudes e má gestão. O caso ocorre após o escândalo de quase R$ 1 bilhão aplicado pelo Rioprevidência no Banco Master.



