Novo vazamento de gás no Centro de SP após explosão no Jaguaré
Novo vazamento de gás no Centro de SP após explosão

Quase um mês após a explosão de uma tubulação de gás durante uma obra da Sabesp no bairro do Jaguaré, na Zona Norte de São Paulo, a cidade registrou um novo vazamento de gás, desta vez no Centro, nesta quinta-feira (4). Moradores flagraram o vazamento na Rua Dr. Teodoro Baima, 61, na República. O Corpo de Bombeiros confirmou que se trata de gás.

O incidente ocorre três dias depois de a Sabesp anunciar um pacote de novas medidas de segurança para obras que envolvam perfuração do solo, com o objetivo de evitar acidentes como o do Jaguaré, que deixou dois mortos. A TV Globo questionou a Sabesp se há uma obra da empresa no local.

Vazamentos de água na Grande São Paulo

Também nesta quinta-feira, dois vazamentos de água foram registrados na Grande São Paulo. Um deles foi causado pelo rompimento de uma caixa d’água dentro do reservatório da Sabesp no Parque das Nações, em Santo André, no ABC Paulista. O vazamento formou cascatas e alagou a área interna da unidade. Em nota, a Sabesp informou que o reparo foi concluído e que o abastecimento da região não foi afetado.

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O outro caso ocorreu em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. Moradores relataram que um cano estourou por volta da meia-noite. A Sabesp afirmou que enviou equipes ao local e que o trabalho foi concluído, mas foi necessário interromper temporariamente o abastecimento. A normalização do fornecimento de água será gradual, com previsão de restabelecimento até esta sexta-feira (5).

Outros incidentes recentes

Os dois vazamentos de água acontecem uma semana depois do rompimento de uma adutora que deixou mais da metade de Guarulhos sem água, na Grande São Paulo. Segundo a Sabesp, o problema ocorreu durante obras no sistema de tratamento de esgoto.

Já no Jaguaré, dezenas de imóveis foram danificados, e a rotina do bairro se transformou em um “cenário de guerra”, segundo moradores. As autoridades estimam que uma área de 2 mil m² foi total ou parcialmente destruída. O balanço mais recente da Defesa Civil aponta que 16 residências foram condenadas e marcadas em vermelho, sem possibilidade de permanência. Outras 22 têm interdição parcial e precisarão de reformas.

Após a explosão, em 15 de maio, a Sabesp suspendeu todas as obras no estado de São Paulo com interferência direta em redes do sistema público de gás. A paralisação, de caráter preventivo, visava revisar procedimentos operacionais, protocolos de segurança e fluxos de atuação, além de elaborar um plano adicional de melhorias.

Novas medidas de segurança

Na segunda-feira (2), a Sabesp anunciou um pacote de novas medidas de segurança para obras com perfuração do solo. As mudanças foram apresentadas durante uma obra no Jardim Peri, na Zona Norte. Uma das principais novidades é a ampliação das “janelas de inspeção”, aberturas manuais no solo para confirmar a localização de tubulações antes da escavação mecânica.

Segundo a Sabesp, toda obra planejada próxima a adutoras ou redes de gás deverá passar por essa verificação. “Estamos fazendo uma janela de inspeção com tamanho equivalente entre 50 centímetros e 50 para encontrar a rede de gás ou água. Isso é executado manualmente, com sondas que têm ponteira de nylon para evitar vazamentos”, afirmou o diretor de Engenharia da Sabesp, Roberval Tavares.

O novo pacote também prevê a instalação de câmeras de monitoramento em todas as frentes de obras até o fim do ano, com imagens acompanhadas em tempo real por equipes técnicas. Outra medida é o reforço na fiscalização: a Sabesp pretende ampliar de 200 para 600 o número de fiscais.

Privatização e impacto

A Sabesp foi privatizada em julho de 2024, com a venda de 32% da empresa por R$ 14,8 bilhões. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que o aumento dos investimentos em saneamento após a privatização elevou a quantidade de obras simultâneas e a preocupação com a segurança operacional. “Por mais que tenha aumentado o risco, isso está nos preocupando. Vamos revisitar esses processos para garantir a segurança”, declarou.

O governador disse que as concessionárias serão cobradas pelos órgãos de regulação e que, se comprovado desvio de procedimento, as empresas envolvidas serão “severamente punidas”.

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