Um mês após o caso que chocou o país, a família de Juraci Rosa Alves, de 88 anos, ainda enfrenta os traumas causados pela falsa declaração de morte do idoso em Presidente Bernardes (SP). Declarado morto em um hospital e encontrado com sinais vitais em uma funerária, Juraci permanece internado na Santa Casa de Presidente Prudente. Nesta segunda-feira (15), ele deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e foi transferido para a enfermaria.
Recuperação lenta, mas com avanços
Em entrevista à TV TEM, o neto João Pedro Nascimento relatou que a família acompanha diariamente a evolução do aposentado e já nota melhoras. “Quando meu avô chegou ao hospital de Presidente Prudente, ele tinha muita dificuldade para respirar e precisou de respiração mecânica. Agora, ele não depende mais dos aparelhos, respira sozinho”, afirmou. Apesar da melhora respiratória, Juraci ainda permanece inconsciente. “A gente espera que ele melhore logo”, completou o neto.
Impacto emocional e busca por justiça
A notícia da morte causou grande comoção entre familiares e amigos. “Foi um baque para todo mundo. Vivemos o luto, compartilhamos mensagens, agradecemos. Foi uma dor muito forte”, lembrou João Pedro. Horas depois, a família recebeu uma ligação informando que Juraci estava vivo. “Foi outro baque, de surpresa. Quando fomos visitá-lo, foi como se ele tivesse ganhado uma segunda vida.”
A família reconhece o atendimento da Santa Casa de Presidente Prudente, mas ainda tem dúvidas sobre o que houve após a declaração equivocada de óbito. “Ficamos no escuro sobre como foi tratado meu avô. Se algumas situações graves poderiam ter sido evitadas com cuidado desde o início”, refletiu o neto. A família acompanha as investigações e aguarda a conclusão do inquérito policial.
Inquérito policial em andamento
Segundo a Polícia Civil, o prontuário médico indica que o paciente foi submetido a manobras de reanimação por mais de uma hora, incluindo três tentativas de intubação orotraqueal, todas sem sucesso. Ao final, foi constatada ausência de pulsos, batimentos cardíacos, pupilas midriáticas e ritmo de assistolia. Diante disso, o óbito foi declarado erroneamente às 19h50 do dia 16 de maio, com causas de “insuficiência respiratória aguda” e “pneumonite por sólidos”.
O homem foi levado à funerária em Presidente Prudente, onde funcionários perceberam que ele respirava. Até esta segunda-feira, oito depoimentos foram colhidos. O inquérito aguarda laudos periciais. A Polícia Civil ressaltou que não há atribuição de responsabilidade criminal até o momento.
Médica se licenciou
A médica que declarou o óbito pediu licença da Santa Casa de Presidente Bernardes no dia 21 de maio e foi ouvida pela polícia em 25 de maio. Em depoimento, ela afirmou que o paciente chegou ao hospital às 18h, em estado grave, inconsciente e com insuficiência respiratória aguda. Os primeiros protocolos de emergência foram iniciados, mas houve dificuldades técnicas nas tentativas de intubação, o que impediu o sucesso.



