Há quase 90 anos, o Edifício Diederichsen se consolidou como um dos principais cartões-postais de Ribeirão Preto (SP) e um dos primeiros prédios do interior paulista. Por trás dessa construção imponente está a história de Antonio Luiz Cristiano Diederichsen, empresário conhecido como "Seu Tonico", que teve papel fundamental no desenvolvimento econômico da cidade durante a primeira metade do século XX. Esta reportagem integra a série 'Histórias Escondidas', uma produção especial da EPTV, afiliada da TV Globo, em celebração aos 170 anos de Ribeirão Preto, completados em 19 de junho. Curiosidades, personagens marcantes e fatos pouco conhecidos ajudam a compreender a trajetória de uma das cidades mais importantes do estado de São Paulo.
Quem foi Antonio Diederichsen
Filho de um imigrante alemão e de uma mãe brasileira, Antonio Diederichsen nasceu em 1875, na capital paulista, mas construiu sua trajetória empresarial em Ribeirão Preto. Ainda jovem, recebeu parte de sua formação na Europa e, ao retornar ao Brasil no fim do século XIX, passou a trabalhar nas propriedades rurais da família. Com o passar dos anos, percebeu que a economia da cidade não poderia depender apenas do café. Em 1903, fundou a empresa Diederichsen & Hibbeln, conhecida como Antigo Banco Constructor, instalada nas proximidades da estação da Companhia Mogiana. O empreendimento reunia diferentes atividades, como venda de ferragens, fundição, oficina mecânica e serraria.
A visão empresarial de Diederichsen o levou a investir em setores ainda pouco explorados na cidade. Segundo o livro 'Diederichsen: O Sonho de Antonio em Concreto', do jornalista José Manuel Lourenço, ele esteve entre os pioneiros na introdução do automóvel em Ribeirão Preto e também apostou em postos de combustíveis, estacionamentos e novos modelos de negócios quando essas atividades ainda eram novidade na região.
O sonho de concreto
Na década de 1930, Antonio Diederichsen decidiu investir naquele que se tornaria seu projeto mais ambicioso. Em 1934, ele comprou o terreno onde antes ficava o palacete do Coronel Quinzinho da Cunha, localizado no encontro das ruas Álvares Cabral e São Sebastião. O imóvel foi demolido para dar lugar ao novo empreendimento. Projetado pelo arquiteto Antonio Terreri, o Edifício Diederichsen começou a ser construído em 1934, em um período de grandes incertezas econômicas devido à crise de 1929. Inaugurado em 1937, o prédio foi considerado um dos primeiros arranha-céus do interior paulista e o primeiro edifício vertical de Ribeirão Preto. Com arquitetura inspirada no estilo art déco, reunia em um único espaço lojas, escritórios, apartamentos, hotel e o Cine São Paulo. O edifício rapidamente se tornou um símbolo do crescimento urbano da cidade e passou a representar a imagem de uma Ribeirão Preto que buscava se modernizar.
Legado para a cidade
Antonio Diederichsen morreu em 1955, mas sua ligação com Ribeirão Preto permaneceu por meio das ações que deixou registradas em testamento. De acordo com o livro, Seu Tonico era conhecido pelo perfil discreto e pela atuação filantrópica. Ele destinou parte de seu patrimônio a instituições sociais. Entre as decisões estava a doação do Edifício Diederichsen para a Santa Casa de Ribeirão Preto, com a intenção de que a renda obtida por meio dos aluguéis ajudasse a financiar as atividades do hospital. Mais de oito décadas após sua construção, o prédio continua sendo uma das referências arquitetônicas mais conhecidas da cidade. Tombado como patrimônio histórico em 2005, o edifício passa por discussões e projetos voltados à sua preservação e restauração.



