Previsão de El Niño forte em 2026 reacende alerta de cheias no Rio Grande do Sul
Previsão de El Niño forte em 2026 reacende alerta de cheias no Rio Grande do Sul

A previsão de um El Niño forte em 2026 volta a acender o alerta no Rio Grande do Sul, dois anos após a maior tragédia climática da história do estado. Especialistas apontam que o fenômeno pode aumentar o risco de enchentes, principalmente na primavera, mas evitam afirmar que haverá uma repetição do desastre de 2024.

Segundo a meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, o El Niño de 2026 tem potencial para ser de 'forte a muito forte', com intensidade comparável à observada em 2023, e seus efeitos devem ser sentidos no inverno e, com maior preocupação, na primavera. 'Historicamente o aumento da chuva sobre o Sul do Brasil é mais preocupante na primavera, que já é uma estação quando normalmente se observam eventos de chuva intensos e até extremos nesta região', explica.

Para Rodrigo Paiva, pesquisador do IPH, é 'difícil de afirmar' se teremos uma cheia igual à de 2024, mas a preocupação com a chegada de um novo El Niño deve 'acelerar medidas de preparação'. Ele destaca avanços importantes desde a última grande enchente, como a reconstrução de infraestrutura de forma mais resiliente. Contudo, a principal vulnerabilidade da capital persiste: o sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre, que inclui o Muro da Mauá, diques e casas de bombas, foi severamente danificado e ainda não está totalmente recuperado. 'Se uma cheia de grande magnitude acontecesse esse ano, é possível que partes da cidade de Porto Alegre fossem atingidas novamente', diz o pesquisador.

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Paiva reforça que a preparação deve ser contínua, pois eventos extremos podem ocorrer em qualquer ano. Ele acredita que a memória recente da população sobre como agir pode ajudar a mitigar os impactos de uma futura cheia. 'É importante que essa memória fique para as próximas gerações também, através de planos e preparações que fiquem para a posteridade', conclui.

Em balanço apresentado pela prefeitura de Porto Alegre, o prefeito Sebastião Melo (MDB) falou sobre investimentos em prevenção e obras de proteção contra cheias. Segundo o Executivo, os investimentos em proteção contra cheias e drenagem urbana somam R$ 2,3 bilhões, provenientes de recursos próprios, financiamentos nacionais e internacionais e repasses de fundos criados após a enchente de 2024. Do total, R$ 1,1 bilhão será destinado à ampliação e construção de novas casas de bombas, e R$ 600 milhões à qualificação de arroios e galerias.

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