O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Faierstein, anunciou nesta terça-feira (4) que o Aeroporto Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo, passará a operar por instrumentos a partir do dia 15 de setembro. A mudança, que substitui as atuais regras visuais, permitirá que os voos continuem operando mesmo sob condições climáticas adversas, como chuva forte, neblina ou teto baixo, que antes causavam a paralisação das atividades.
O que muda com a nova operação
Até agora, o Campo de Marte operava exclusivamente por regras visuais, o que limitava a operação em dias de mau tempo. Com a implementação das Regras de Voo por Instrumentos (IFR), o aeroporto poderá manter suas atividades normalmente, beneficiando não apenas a aviação executiva, mas também as missões do Grupamento de Radiopatrulha Aérea da Polícia Militar de São Paulo, o Águia, que realiza operações policiais, resgates e transporte aeromédico, incluindo o transporte de órgãos para transplantes.
Segundo Faierstein, a medida cumpre uma determinação do contrato de concessão da Pax Aeroportos, que opera o aeroporto desde 2022. “É uma virada de chave, com a autorização do DECEA, para que possamos fortalecer o uso desse aeroporto para a aviação geral, o desenvolvimento do estado de São Paulo e do Brasil”, disse durante a abertura do evento de aviação LABACE 2026, na capital paulista.
Investimento e infraestrutura
A implementação do IFR foi coordenada pelos governos federal, estadual e municipal, em parceria com a Anac e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA). A infraestrutura necessária foi entregue em março, como parte de uma modernização do aeroporto, que incluiu a construção de uma nova taxiway (pista de rolagem), área de segurança de fim de pista, repavimentação de uma das vias e novos sistemas de iluminação. O investimento da Pax Aeroportos foi de aproximadamente R$ 120 milhões.
Impacto na aviação de negócios e na cidade
De acordo com a Pax Aeroportos, a operação por instrumentos deve descongestionar o sistema aéreo paulistano, atrair investimentos privados e gerar empregos, além de preparar a cidade para uma nova fase da mobilidade aérea urbana. O Brasil possui a segunda maior frota de jatos executivos do mundo, e a aviação de negócios cresceu 12,18% em movimentação de aeronaves nos últimos doze meses, com 94.800 pousos e decolagens até abril deste ano.
Regras para construções próximas
A operadora do Campo de Marte esclarece que a implementação do IFR não proíbe a construção nos arredores do aeroporto. No entanto, com a transição, construções em um raio de até 20 km do aeroporto passam a compor a chamada Superfície Horizontal Externa, onde novas construções precisam ser avaliadas pelo DECEA. Não há imposição automática ao tamanho dos prédios, mas sim uma avaliação individual de cada caso.



