O Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte (CDPCM-BH) aprovou, na última quinta-feira (16), um parecer que permite avançar na instalação de painéis de LED na Praça Sete, no Centro da capital mineira. A proposta, apelidada de 'Times Square de BH', prevê a veiculação de propagandas publicitárias em grandes telões nas fachadas de prédios ao redor do cruzamento central da cidade.
Aprovação por 8 votos a 3 e próximas etapas
Na votação, foram 8 votos favoráveis ao parecer e 3 contrários, de um total de 16 conselheiros aptos a votar. O parecer autoriza propagandas luminosas em três edifícios: Edifício Helena Passig, Antigo Banco Mineiro de Produção (atual P7 Criativo) e Brasil Palace Hotel. A instalação ainda depende de pareceres favoráveis do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) e da Subsecretaria de Regulação Urbana de BH.
Nenhum painel foi instalado até hoje devido à falta de documentos oficiais, como a autorização concedida pelo CDPCM. Caso novas propostas para outros prédios da Praça Sete sejam apresentadas, novos pareceres deverão ser elaborados e votados.
Críticas ao projeto: 'desrespeito ao patrimônio'
Flávio Carsalade, membro do conselho que votou contra o parecer, criticou a iniciativa: "A Avenida Afonso Pena [que forma o cruzamento da Praça Sete] é tombada pelo Patrimônio, por um conjunto paisagístico. Esta é uma decisão que não pensa no patrimônio". Também contrária, Edwuirges Leal, conselheira representante do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Minas Gerais (CAU-MG), defendeu um modelo de revitalização do Centro baseado em paisagismo, iluminação e trabalho social, além de incentivo a empreendedores da região.
A proposta, que virou lei em março de 2025, recebeu fortes críticas da oposição e de entidades de arquitetos e urbanistas desde sua tramitação na Câmara Municipal.
Apoio de lojistas e entidades
Representantes dos lojistas da região acreditam que a proposta pode atrair mais movimento e consumo para o Centro. Apoiadores como o Sistema Fecomércio e a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) veem na lei a possibilidade de dar mais "vida e visibilidade" à região.
O que diz a Lei 11.828/2025
Sancionada pelo prefeito Álvaro Damião (União Brasil) em 8 de março de 2025, a lei criou as "áreas de promoção da cidade" — espaços com regras mais flexíveis para publicidade e ordenamento urbano. A legislação permite painéis luminosos de LED em todas as esquinas da Praça Sete, desde que cumpram requisitos técnicos e urbanísticos, entre eles:
- Painéis entre 3 e 40 metros de altura;
- Ocupação de no máximo 30% da fachada;
- Espessura inferior a 1,70 m;
- 1 hora diária de conteúdo gratuito para a Prefeitura, em inserções de 30 segundos;
- Não interferência em sinalização de trânsito ou acessibilidade de pedestres;
- Anuência obrigatória dos órgãos de patrimônio para prédios tombados ou protegidos.
Até o momento, a Praça Sete é o único espaço da capital com o status de "área de promoção da cidade" apto a receber os painéis. O g1 e a TV Globo entraram em contato com a Prefeitura de Belo Horizonte e com o Iepha para obter mais detalhes, mas não obtiveram resposta até a última atualização desta reportagem.



