Moradores do Ramal do Icuriã, em Assis Brasil, no interior do Acre, denunciam as condições precárias da via, que é o único acesso terrestre à Terra Indígena Mamoadate e à Reserva Extrativista Chico Mendes (Resex). Um vídeo gravado por moradores mostra a estrada intransitável, tomada pela lama, dificultando a locomoção de quem precisa sair ou entrar na localidade.
De acordo com Lucas Artur Brasil Manchineri, presidente da Associação Manxinerune Ptohi Phunputuru Poktsahi Hajene (Mappha), o problema é antigo e se repete ao longo dos anos, afetando cerca de 3 mil pessoas que dependem diretamente da via para se deslocar. O ramal liga a zona urbana de Assis Brasil ao Seringal Icuriã, onde vivem os povos Manchineri e Jaminawa, além de famílias ribeirinhas e extrativistas.
As más condições da estrada têm impactado o transporte de professores, materiais escolares, merenda e equipes de saúde. Além disso, o custo do frete aumentou significativamente, variando entre R$ 900 e R$ 1,7 mil, dependendo da época. Moradores relatam que a situação afeta diretamente a saúde das comunidades, com casos de partos ocorridos no trajeto e mortes pela demora na via.
Lideranças indígenas encaminharam um pedido de providências aos órgãos públicos, solicitando recuperação emergencial do ramal, com serviços de pavimentação e drenagem, além de manutenção periódica. Também pedem a criação de uma linha de transporte enquanto o ramal não for asfaltado, como forma de reduzir os custos de deslocamento. O pedido foi enviado ao governo do estado, Prefeitura de Assis Brasil, Iteracre, MPF e Ministério dos Povos Indígenas.
O Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) informou que os serviços de recuperação do Ramal Icuriã ainda não foram iniciados devido ao alto volume de chuvas na região. Em junho do ano passado, o governo abriu uma licitação para recuperação do ramal, mas as obras não começaram.



