O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) deflagrou, na noite desta sexta-feira (17), a Operação "Prova Viva", que resultou na prisão preventiva de um cabo da Polícia Militar identificado como Deimison Júnior Clarindo Cardoso. O policial é investigado por suspeita de integrar uma organização criminosa e participar do sequestro de um empresário do setor automotivo, ocorrido no início desta semana em Manaus. Além da ordem de prisão, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão. Todos os mandados foram expedidos pela 3ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus.
Operação conjunta e prisão do policial
A ação foi coordenada pelas 60ª e 61ª Promotorias de Justiça Especializadas no Controle Externo da Atividade Policial e Segurança Pública (PROCEAPSP), com o apoio do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), do Departamento de Justiça e Disciplina da Polícia Militar (DJD/PMAM) e da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). O cabo da PM foi abordado e preso no momento em que chegava para trabalhar na 12ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), localizada na Zona Centro-Sul da capital.
O sequestro e o 'tribunal do crime'
De acordo com as investigações do MPAM, após ser levado pelos criminosos, o empresário teria sido entregue a membros de uma facção para passar pelo chamado "tribunal do crime". Após uma averiguação interna conduzida pelos próprios integrantes do grupo criminoso, que concluíram que as acusações que motivaram a captura do empresário eram improcedentes, a vítima foi libertada. O crime ocorreu na manhã de terça-feira (14), na Rua Francisca Mendes, no bairro Cidade de Deus, Zona Norte de Manaus. Câmeras de segurança registraram a ação de homens encapuzados que chegaram em dois carros, abordaram a vítima dentro de seu próprio veículo e a colocaram à força em um dos automóveis.
Horas mais tarde, o empresário foi localizado na Avenida G, no bairro Cidade Nova, também na Zona Norte, apresentando hematomas pelo corpo e bastante abalado. Segundo a polícia, os criminosos chegaram a enviar mensagens exigindo dinheiro para o resgate, porém a vítima acabou sendo abandonada dentro de um dos carros usados na ação e nenhum objeto foi roubado.
Apreensões e investigação em andamento
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão na noite de sexta-feira, os agentes apreenderam armamentos que estavam sem a documentação de regularidade imediata, além de quantias em dinheiro que podem ter relação direta com o caso. Segundo o promotor de Justiça Amando Gurgel Maia, o caso segue sob investigação para apurar a motivação real da ação, se havia intenção de homicídio contra o empresário e identificar a eventual participação de outras pessoas no crime. Todo o material apreendido passará por análise técnica e corre sob sigilo.



