Igreja Inacabada de Alagoinhas: mito do sangue de boi é desmentido
Mito do sangue de boi na Igreja Inacabada é desmentido

A Igreja Inacabada de Alagoinhas, um dos cartões-postais mais conhecidos do município baiano, é cercada por lendas, mas a história de que sua argamassa teria sido feita com sangue de boi e óleo de baleia não passa de uma tradição oral sem respaldo histórico. A pesquisadora Iraci Gama, assessora cultural do município, afirmou ao g1: "Não. Isso não é verdade. É uma tradição oral da cidade. Os estudos não falam sobre isso".

Construção com materiais convencionais

Segundo Iraci, a igreja foi erguida com os materiais típicos da época: barro, argila especial, areia de qualidade e água abundante na região. Não há qualquer registro histórico do uso de sangue de boi ou óleo de baleia na argamassa. A estrutura de pedra, sem telhado, resiste há mais de 150 anos.

O verdadeiro motivo do abandono

A obra, iniciada em setembro de 1862, foi interrompida devido à chegada da estrada de ferro. Em 13 de fevereiro de 1863, ocorreu a primeira viagem ferroviária entre Salvador e Alagoinhas, com a estação construída a cerca de três quilômetros da sede da vila. Comerciantes e moradores migraram para o entorno da ferrovia, esvaziando o antigo núcleo urbano. Em abril de 1868, a sede administrativa foi transferida para a região da estação, e o governo deixou de investir na igreja.

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Importância histórica e tombamento

A Igreja Inacabada é tombada como patrimônio histórico municipal desde 2012. Passou por obras de estabilização entre 1991 e 1992, após estudos do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac). A recomendação técnica é preservar a estrutura como está, sem concluí-la. O monumento apresenta rachaduras que exigem monitoramento constante devido à ação do clima e do tráfego de veículos.

Lendas e tradições populares

Além do mito do sangue de boi, outra tradição popular diz que imagens de Santo Antônio colocadas na cruz da entrada sumiam e "voltavam" ao templo. O costume persiste entre moradores, que ocasionalmente levam imagens religiosas ao local, que também recebe celebrações esporádicas.

Para Iraci Gama, o maior legado da Igreja Inacabada é preservar a memória da cidade: "Ela representa toda a trajetória de Alagoinhas. Foi ali que começou a história da comunidade, que se tornou arraial, depois freguesia, vila e, finalmente, a cidade que conhecemos hoje".

Curiosidades sobre a Igreja Inacabada

  • As obras começaram em setembro de 1862.
  • A construção foi abandonada após a chegada da ferrovia e a mudança do centro urbano.
  • O templo seria maior do que a atual Catedral de Santo Antônio.
  • A fachada preserva quase fielmente o desenho do projeto original.
  • Não há comprovação de que a argamassa tenha sido feita com sangue de boi ou óleo de baleia.
  • O monumento é tombado como patrimônio histórico municipal desde 2012.
  • É considerado um dos maiores símbolos da identidade de Alagoinhas.

As informações sobre a origem de Alagoinhas, a construção da Igreja Inacabada e a influência da ferrovia estão no livro "Memória, Narrativa e Identidade: A cidade ferroviária de Alagoinhas", de Iraci Gama.

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