Uma simples caminhada entre túmulos no Rio de Janeiro revela histórias surpreendentes: um cemitério que já abrigou churrasco e futebol, outro que se tornou um dos maiores da América Latina e um terceiro onde uma vítima de crime é venerada como santa popular. O Cemitério São Francisco Xavier, em Ricardo de Albuquerque, na zona norte, foi palco de um inusitado espaço de lazer até 2005, quando a prefeitura encerrou a ocupação.
Cemitério com churrasco e futebol
No Cemitério São Francisco Xavier, familiares e amigos se reuniam nos fins de semana para confraternizar com churrasco e partidas de futebol entre as sepulturas. A prática, que atraía dezenas de pessoas, foi interrompida pela prefeitura em 2005, após denúncias de desrespeito ao ambiente funerário. Segundo relatos de frequentadores, a iniciativa partiu de moradores locais que viam no local um ponto de encontro comunitário. Apesar do fim da ocupação, o caso ainda é lembrado como um exemplo da relação peculiar dos cariocas com a morte.
Complexo do Caju: história e magnitude
O Complexo do Caju, na zona portuária, começou a ser utilizado ainda no período colonial para sepultamentos de escravizados. Hoje, é um dos maiores cemitérios da América Latina, com mais de 500 mil sepulturas. Abriga túmulos de figuras icônicas como o compositor Noel Rosa e o escritor Machado de Assis. O local também é conhecido por sua arquitetura e pela diversidade de estilos funerários, que vão de mausoléus suntuosos a covas simples.
Taninha: a santa popular de Inhaúma
No cemitério de Inhaúma, o túmulo de Taninha (Ana Maria de Jesus) é um ponto de peregrinação. Vítima de um crime chocante nos anos 1960, ela foi morta a facadas pelo ex-namorado. Desde então, devotos atribuem milagres a ela, deixando flores, velas e bilhetes. A crença popular transformou Taninha em uma santa não canonizada, com pedidos de proteção no amor e na saúde. O túmulo é constantemente visitado, especialmente em datas como o Dia de Finados.



