Castelo do Alemão em Peruíbe: lendas, história e mistério no litoral de SP
Castelo do Alemão em Peruíbe: mistério e história

Mistérios e lendas cercam uma residência localizada próxima à Estrada do Guaraú, em Peruíbe, no litoral de São Paulo. Conhecido popularmente como 'Castelo do Alemão' ou 'Castelinho', o imóvel alimenta o imaginário popular com histórias que vão desde supostas ligações com o nazismo até relatos de cárcere privado. Entre pátios e torres, o local reforça a aura de mistério que chama a atenção de quem passa pela Prainha.

Arquitetura e símbolos controversos

Inspirado na arquitetura medieval portuguesa, a construção ostenta brasões gravados nas paredes de pedra, grandes portões de madeira e cercas que reforçam sua imponência. Entre os símbolos espalhados pelo imóvel, chama atenção uma espécie de cruz associada ao movimento neonazista da Lituânia.

A verdadeira história revelada

Ao g1, o historiador e secretário de Meio Ambiente de Peruíbe, Eduardo Ribas, revelou a verdadeira história por trás da construção erguida no fim da década de 1960 e esclareceu os boatos que se tornaram parte do folclore local. Uma das versões mais difundidas afirma que o castelo teria sido construído por um alemão fugitivo da Segunda Guerra Mundial. Ribas, no entanto, garante que essa narrativa não passa de mito.

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“Ele não era alemão. O nome dele era Hardy Lopes Giusti. O apelido veio porque, em 1988, saiu no jornal que encontraram várias relíquias ligadas ao nazismo na casa dele, em São Paulo. A partir daí, começaram a chamar de ‘Castelo do Alemão’”, explicou.

Quem era Hardy Lopes Giusti?

Giusti era engenheiro e eletricista, e foi preso pelos crimes de lesão corporal dolosa, cárcere privado e omissão de socorro contra a própria mãe, em São Paulo. Essas informações, já citadas pelo historiador, foram detalhadas pelo Jornal do Brasil à época, e as lendas sobre o homem e a construção começaram a ganhar corpo. De acordo com Ribas, o dono do 'castelo' era visto como uma figura excêntrica e enigmática. Pelas ruas de Peruíbe, aparecia sempre com camisa preta de manga comprida, calça preta e botas. “Ele não tinha muito contato nem amizades. Se alguém se aproximasse do muro do castelo, chegava a dar tiros por cima da cabeça para afastar curiosos”, relatou.

Prisão, elementos nazistas e cárcere privado

No dia 1º de junho de 1988, o Jornal do Brasil noticiou a prisão em flagrante de Hardy Lopes Giusti, então com 62 anos, após agredir e manter em cárcere privado sua mãe, Olívia Lopes Giusti, professora de piano aposentada, de 82 anos. No sobrado onde vivia, em Pinheiros, zona oeste da capital paulista, a polícia apreendeu seis armas — entre elas um fuzil automático e uma metralhadora alemã calibre .45 — além de cerca de 3 mil cartuchos. Também foram encontrados objetos e bandeiras de inspiração nazista, medalhas e condecorações semelhantes às usadas pelo regime, além de livros, como: “O nazismo sem máscara”, de Bauer Rois, e “Les Medicins Maudits”, de Christian Bernadac, cuja capa trazia uma suástica.

Os policiais localizaram ainda recortes de jornais sobre a Segunda Guerra Mundial e uma fita cassete com discurso de Adolf Hitler, o hino nazista, a Marcha Militar de Schubert e músicas de apologia ao regime. Questionado, Giusti negou ter agredido a mãe, mas admitiu à polícia que a trancava em casa porque, segundo ele, ela não tinha condições de sair sozinha. Ele disse ser aposentado da Prefeitura de São Paulo, colecionador de armas e estudioso do nazismo, além de afirmar ter lecionado por 17 anos em uma universidade.

A mãe, que apresentava sinais de perda de lucidez, disse aos policiais que o filho tinha ciúmes e, por isso, a impedia de sair à rua. Ainda naquele dia, a polícia realizou uma busca na casa de praia de Giusti, em Peruíbe, na expectativa de encontrar mais armas. Não há registros sobre o que foi apreendido no “Castelo do Alemão”.

Morte e abandono

No início dos anos 1990, Hardy Lopes Giusti tirou a própria vida com um tiro na cabeça, dentro do castelo. Segundo o historiador Eduardo Ribas, o imóvel foi deixado como herança para uma sobrinha e para uma funcionária, como forma de quitar dívidas trabalhistas. Com o tempo, a construção entrou em estado de abandono e passou a ter visitação proibida. Mais do que nunca, tornou-se cenário de histórias e lendas que atraem turistas e curiosos que passam pela região.

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