Uma motorista salvou um homem de ser atropelado por um trem em Apucarana, no Norte do Paraná, nesta quarta-feira (3). Karla França, que tem pavor de trens desde criança, agiu rapidamente ao ver João Dakizuki, de 55 anos, caído nos trilhos. Com a ajuda de outra pessoa, ela conseguiu retirá-lo oito segundos antes da passagem do trem. Uma câmera de segurança registrou o momento.
Medo e coragem
Karla França, professora, relatou à RPC, afiliada da TV Globo, que estava no carro com a filha a caminho da escola quando observou o homem, que utiliza andador, caminhando de forma instável. "Eu fui instrumento mesmo de Deus, porque eu jamais faria isso. Meu esposo sabe, ele não passa na linha do trem quando o trem está vindo, porque eu tenho muito medo, muito medo. E é medo de chorar, de dar crise de ansiedade", disse.
Apesar da fobia, Karla não hesitou. "Quando eu vi, ele já estava com os braços dando pra mim, com aquele olhar bem apavorado. Minha reação foi só puxar ele dali. Essa força não veio de mim. Uma porque eu não teria força para arrastar esse homem e outra por conta do meu trauma mesmo", contou.
O resgate em detalhes
O incidente ocorreu às 13h39. João se desequilibrou ao caminhar com o andador sobre a passagem de nível da Rua Hermes da Fonseca. Karla abandonou o carro e correu até ele. O maquinista acionou a buzina para alertar. A mulher alcançou o homem às 13:39:26, puxou-o e garantiu que ele estivesse na calçada. O trem passou às 13:39:34, apenas oito segundos depois. Faltando dois segundos, outro condutor ajudou a colocar o homem de pé.
"Eu vi ele passando assim bem instável, com o andador, até a hora que ele pisou na linha do trem. Ele usava um sapato muito grande, o que acredito que contribuiu para a queda", lembrou Karla. O homem resgatado, aposentado, estava vendendo latinhas coletadas e não se feriu.
Fobia inexplicável
Karla diz que nunca entendeu a origem do medo, pois não recorda de nenhuma situação traumática. Já comentou sobre a fobia com psicólogos, mas não encontrou explicação. Ela garante que o acontecimento ficará marcado. "Consigo entender que foi um ato bom, um ato heroico, mas eu ainda tenho medo da cena. Eu só tremia e chorava. O barulho da buzina do trem ficou por muito tempo", afirmou.
Orientação da concessionária
A Rumo, concessionária da ferrovia, informou em nota que os maquinistas sempre utilizam a buzina para alertar pedestres e motoristas, como norma de segurança obrigatória. A empresa reforça que a população mantenha distância segura dos trens, parados ou em movimento, e redobre a atenção aos sinais sonoros e visuais nas passagens de nível. Destaca ainda que um trem, mesmo após acionar os freios de emergência, não consegue parar imediatamente devido ao peso e tamanho da composição.



