Fotógrafa desaparecida no Paraná é encontrada morta por drone
Fotógrafa desaparecida no Paraná é encontrada morta por drone
O corpo da fotógrafa Ana Paula Silveira Cardoso, de 29 anos, foi localizado na manhã desta quinta-feira (30) por um drone operado pelo major Jackson Alexandre Machado, do Corpo de Bombeiros, no Salto das Orquídeas, em Sapopema, no Norte do Paraná. A vítima estava desaparecida desde sábado (25), quando tentou atravessar o rio com a amiga Ana Carolyne Camilo. Segundo o coronel Rafael Lorenzetto, o corpo estava a 123 metros da queda da maior cachoeira da propriedade, que tem 45 metros de altura.

Corpo encontrado a 123 metros da queda

As buscas começaram depois do desaparecimento e o drone identificou a vítima por volta das 7h10. Conforme o major Renan Bortolassi, que também participou das buscas, a suspeita é de que Ana tenha caído da cachoeira no sábado, após escorregar enquanto atravessava o rio. "Ela possivelmente ficou ali, enroscada, numa dessas pedras. E com a diminuição do fluxo da água, com o tempo que passou também, ela pode ter boiado um pouco e isso facilitou bastante a visualização dela hoje," explicou Machado.O corpo foi encaminhado para a Polícia Científica de Londrina, onde a causa da morte deve ser identificada. Até a última atualização desta reportagem, não havia informações sobre velório e sepultamento.

Alertas e interdição no dia do acidente

O Salto das Orquídeas é um complexo de cachoeiras e quedas d'água localizado no município de Sapopema, a cerca de 300 km de Curitiba. O local fica em uma propriedade privada, que cobra pela entrada de visitantes. De acordo com o delegado Thiago Luiz dos Santos, em entrevista coletiva nesta quinta, funcionários da administração orientaram as duas jovens sobre os riscos da travessia."Elas foram orientadas que realmente no dia não dava pra tentar essa travessia por conta do nível do rio. A turma que estava aqui com excursão foi até lá e realmente comprovou isso, e mesmo assim elas teriam ido. Elas tinham o conhecimento, estavam alojadas aqui no camping, assinaram o termo de responsabilidade e teriam ido por livre e espontânea vontade, sabendo desse risco," disse o delegado.Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, o dono da propriedade, Luiz Busqueti, afirmou que, por causa do nível da água, o trecho da trilha que atravessa o rio estava interditado. "A gente limitou o passeio pela metade: só em partes de trilha seca, não em partes de trilha na água, que é o que é costume aqui. Então, no sábado estava proibido acessar, principalmente a última cachoeira," disse Busqueti.Estima-se que, no dia do desaparecimento, o nível da água estava 40 centímetros acima do normal. Mesmo assim, Ana Paula e Ana Carolyne tentaram atravessar a correnteza para chegar a um mirante. O local em que Ana Paula desapareceu apresenta corredeiras, cachoeiras e três quedas d'água, em meio à mata fechada, no rio Lajeado Liso.

Investigação segue como acidente

Segundo o delegado, turistas que estavam no local no dia do acidente estão sendo ouvidos e o dono do estabelecimento vai prestar depoimento. Também serão extraídos dados do celular e do relógio inteligente que Ana Carolyne usava. "A linha de investigação segue como acidente mesmo. Ainda falta a extração dos aparelhos celulares, que já iniciamos, inclusive, e da própria vítima, da Ana Paula, que foi encontrada hoje. Um dos relatórios já aponta que o último sinal mesmo foi no horário aproximado de 15h48 do dia do acidente," explicou o delegado.Um inquérito policial foi instaurado para investigar o caso. A polícia tem 30 dias para finalizá-lo, mas o prazo pode ser prorrogado, a depender dos resultados dos laudos e exames. "Não foi o final que a gente gostaria, mas pelo menos teve uma resposta para a família," finalizou o delegado.

Amiga sobreviveu após passar horas na mata

Ana Carolyne Camilo, amiga da vítima, sobreviveu ao acidente. Ela conseguiu se salvar segurando-se em uma pedra que não estava submersa, a cerca de 500 metros do local da queda. O pai dela, Valdir Camilo, explicou que a jovem ficou sozinha na mata das 15h de sábado até aproximadamente 9h de domingo (26).Ela foi encontrada por um funcionário do Salto das Orquídeas, que verifica o nível do rio com frequência e a viu durante o trabalho de rotina. Em seguida, houve o resgate com o auxílio de dois policiais militares. Ana Carolyne sofreu uma fratura na vértebra da coluna e recebeu alta na noite de quarta-feira (29).

Perfil da vítima

Ana Paula era moradora de Londrina e trabalhava como fotógrafa. No dia do desaparecimento, ela fazia um passeio no Salto das Orquídeas. Em certo momento, ela e a amiga decidiram ir sozinhas até um mirante e tentaram atravessar o rio com o auxílio de cordas. Durante a travessia, Ana Paula caiu na correnteza; a amiga tentou ajudá-la, mas também se desequilibrou.O complexo é um destino procurado para ecoturismo e turismo de aventura. O corpo da fotógrafa estava a 123 metros de distância da queda da maior cachoeira, perto do poço principal. A localização por drone foi fundamental para o desfecho das buscas, que duraram cinco dias.