Minas Gerais enfrenta uma média alarmante de 30 incêndios por dia em 2024. Dados do Corpo de Bombeiros apontam que, entre janeiro e a primeira quinzena de julho, foram registradas 6.038 ocorrências em vegetação, o que equivale a aproximadamente 31 focos por dia. Com a chegada da estiagem mais severa, a corporação reforça o alerta para o risco elevado de queimadas, destacando que a maioria dos casos tem origem na ação humana.
Incêndio em nascente assusta moradores de Belo Horizonte
Os impactos já são evidentes na capital mineira. Na quarta-feira, 15 de julho, um incêndio atingiu uma área de nascente da bacia do Córrego do Leitão, às margens da Via do Bicão, no bairro Santa Lúcia. A fumaça encobriu casas e prédios da região, causando apreensão entre os moradores. A manicure Úrsula Souza relatou que precisou manter portas e janelas fechadas durante o incidente. "Mesmo com tudo fechado, o cheiro era muito forte. A casa ficou muito quente e entrou muita fuligem. A gente fica assustado, principalmente porque tem crianças e animais de estimação", disse.
Lotes vagos são origem de 60% dos incêndios
De acordo com o Corpo de Bombeiros, cerca de 60% dos incêndios em vegetação atendidos pela corporação começam em lotes vagos. Além dos danos ambientais, há o risco de as chamas se alastrarem para imóveis e áreas de preservação. O porta-voz da corporação, tenente Henrique Barcellos, afirma que mais de 95% dos incêndios em vegetação têm origem em ações humanas, seja por queimadas para limpeza de terrenos ou por incêndios criminosos. Segundo ele, quem provocar queimadas de forma intencional deve ser denunciado aos canais de emergência.
Estiagem e El Niño intensificam risco de queimadas
Os Bombeiros alertam que os próximos meses exigem atenção redobrada. Tradicionalmente, agosto e setembro concentram baixos índices de umidade, temperaturas elevadas, ventos mais fortes e longos períodos sem chuva. Essas condições favorecem a propagação do fogo. Neste ano, a expectativa é que esse cenário seja intensificado pela influência do fenômeno El Niño, aumentando o risco de novos incêndios.
Fumaça das queimadas agrava doenças respiratórias
Além dos prejuízos ambientais, a fumaça das queimadas representa um risco para a saúde, principalmente de crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. A pneumologista pediátrica Isabela Picinin explica que a fumaça libera partículas tóxicas e irritantes que podem agravar quadros de asma e bronquite, além de desencadear alergias, rinite e conjuntivite em pessoas que não tinham sintomas. A médica recomenda algumas medidas para reduzir os efeitos da fumaça no organismo: evitar permanecer em locais com fumaça sempre que possível; manter portas e janelas fechadas quando houver fumaça no ambiente externo; aumentar a umidade do ar com umidificadores, toalhas úmidas ou recipientes com água; e beber bastante água ao longo do dia para manter a hidratação.



