Conhecido pelos povos originários como a 'árvore da vida', o buriti voltou a brotar pelas mãos de voluntários em Caiuá (SP). O plantio faz parte de um projeto coletivo que, nos últimos três anos, espalhou mais de 60 mil mudas e reflorestou uma área de 48 hectares às margens do Rio Paraná. A ação mais recente ocorreu em 11 de julho, quando um grupo de 15 voluntários plantou mais de 54 novas mudas da espécie buriti (Mauritia flexuosa).
Importância do buriti para o ecossistema
Djalma Weffort, jornalista, ambientalista e presidente da Associação em Defesa do Rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar (Apoena), descreve a importância do projeto no corredor ecológico Mata Maturi-Rio do Peixe. 'O buriti pode atingir 35 metros de altura, enquanto o tronco, de 40 a 50 cm de diâmetro, apresenta crescimento lento no início, mas a planta pode viver até 400 anos', explica. O desaparecimento da espécie nativa no local se deu por desmatamento, incêndios florestais e mudanças no ciclo hídrico devido a barramentos e desvios dos cursos d'água.
Impacto na fauna e flora
Os voluntários trabalham para reverter a situação, colaborando para o bem-estar de animais silvestres como araras, papagaios e maracanã-do-buriti. 'A implantação do projeto de restauração foi em três anos, decorrente de compensação ambiental entre o Ministério Público, a empresa local e executada pela Apoena. Há planos de novos plantios', afirma Djalma. Idealizador da ação, ele trabalha com o fotógrafo Peter Mix e o técnico em restauração florestal Genildo de Oliveira, além de outros voluntários. Já são 90 espécies plantadas, incluindo aroeira-pimenta, canafístula, paineira, angico, jatobá, cedro, jenipapeiro, ipês, candiúba, fruta-do-lobo, araçá, pequi, embaúba, pau-formiga, papagaireiro e mutambo.
Preservação no oeste paulista
A região do oeste paulista também é marcada pela preservação ambiental no Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), considerado um 'baú precioso' por estar há mais de dez anos sem registrar incêndio. O último incêndio no parque ocorreu em 2012, conforme o gestor Eriqui Inazaki. O apoio da comunidade é aliado importante, e as fiscalizações contam com a Polícia Militar Ambiental e a Polícia Militar Rodoviária. 'Aqui, a gente perde uma árvore centenária, uma onça-pintada, são valores imensuráveis. Quem perde é a humanidade, não é só o parque, só a cidade. Somos todos nós e as futuras gerações. Esse é o sentimento mesmo: cuidar de um baú muito precioso para que isso perdure por muitos anos', reforça Inazaki.
Onças-pintadas e mico-leão-preto
A preservação permite que animais silvestres estejam cada vez mais presentes, como as onças-pintadas (Panthera onca) avistadas pelo vigilante Rodrigo Coelho Dezotti no Morro do Diabo no início deste ano. 'É um privilégio a gente estar trabalhando em um ambiente como esse e viver uma experiência dessa. É muito gratificante', destaca. Além das onças, o local abriga 1,3 mil indivíduos da espécie mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), animal que já foi considerado extinto. Atualmente, o Parque Estadual do Morro do Diabo abriga a maior população livre da espécie no mundo.



