Protesto em Florianópolis contra postes em praia do Campeche
Protesto contra postes na praia do Campeche em Florianópolis

Moradores do Campeche, uma das praias mais famosas do Sul da Ilha, em Florianópolis, protestam contra a instalação de 13 postes na areia, iniciada no sábado (20). Eles temem os efeitos para a flora e fauna local e questionam se há autorização para o trabalho, já que se trata de uma Área de Preservação Permanente (APP).

Investigação sobre licenciamento

O Ministério Público Federal (MPF) pediu informações sobre licença ambiental à prefeitura de Florianópolis. O município afirma que a empresa responsável "já está trabalhando nas atualizações necessárias das licenças". A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) informou que não há registro de pedido de autorização para os trabalhos. "A instalação de postes de iluminação e outras estruturas físicas em áreas de praia depende de autorização prévia da pasta, além da obtenção das demais licenças ambientais e urbanísticas cabíveis", disse a SPU em nota.

Posição do MPF

O MPF informou que atua no caso e pediu à Fundação do Meio Ambiente de Florianópolis (Floram) que embargue a obra caso seja constatada a ausência de licença ambiental. "Caso não haja estudos prévios e autorização da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), o MPF ajuizará ação civil pública para retirada dos postes", declarou.

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Preocupação dos moradores

Jussemir Junior, presidente da Associação de Surfe do Campeche, afirmou: "A gente se sente bem ameaçado porque a gente já vem lutando, desde 1984 a associação existe, para preservação do nosso ambiente aqui". Eduardo Rocha, presidente da Associação de Moradores do bairro, disse que o local não é frequentado à noite a ponto de precisar das estruturas. "O local onde estão sendo instalados os postes é uma das regiões na qual a restinga está mais preservada da praia do Campeche". Ele acrescentou: "Esse movimento abre um precedente muito perigoso de urbanização de uma área protegida por lei, sem o devido estudo de impacto ambiental".

Impactos ambientais

As oceanógrafas Ana Luiza Gandara Martins e Andreoara Deschamps Schimidt explicaram que a área abriga ecossistemas de restinga e dunas costeiras, além de diversas espécies de fauna residentes, incluindo aves, mamíferos, crustáceos, moluscos e insetos. Também constitui área de passagem e alimentação para aves migratórias vindas tanto da Patagônia quanto da América do Norte.

"A iluminação artificial noturna em ambientes costeiros naturais é reconhecida pela literatura científica como um fator de alteração ecológica, podendo provocar desorientação da fauna, mudanças nos padrões de deslocamento, alimentação e reprodução, além de aumentar a vulnerabilidade de determinadas espécies à predação", disse Martins. "A iluminação contínua pode interferir no desenvolvimento da vegetação de restinga e das dunas frontais, uma vez que muitas espécies vegetais dependem dos ciclos naturais de luz e escuridão para regular processos fisiológicos como floração, frutificação, germinação e crescimento".

Riscos climáticos

As oceanógrafas também levaram em consideração a previsão climática para o resto do ano. "A possibilidade de ocorrência de um evento El Niño no segundo semestre de 2026 reforça a importância de manter íntegros os mecanismos naturais de proteção costeira, especialmente em áreas ambientalmente sensíveis como as dunas do Campeche".

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