Pesquisa usa probióticos para proteger corais do aumento da temperatura do mar
Probióticos testados para salvar corais do aquecimento do mar

Conhecidos como as "florestas tropicais do oceano", os recifes de corais estão entre os organismos mais impactados pelas mudanças climáticas, que elevam a temperatura do mar. Para reverter esse cenário, um grupo de pesquisadores desenvolveu um "berçário" com 24 aquários que abrigam fragmentos de corais. O experimento é conduzido por cientistas do Projeto Conservação Recifal (PCR), que monitora a Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, entre os litorais de Pernambuco e Alagoas. Segundo o instituto, cerca de 80% dos corais da região já morreram. Este é o primeiro estudo desse tipo no Nordeste.

Testes com probióticos

Formados por colônias de pólipos, os recifes de corais abrigam rica biodiversidade e são essenciais para a vida marinha. O coordenador do PCR, Pedro Pereira, explicou ao g1 que os testes começaram com a espécie "coral-de-fogo" e devem ser ampliados. O objetivo é encontrar estratégias para tornar os corais mais resistentes às mudanças climáticas e restaurar os recifes brasileiros.

"É um experimento científico: simulamos o ambiente natural, controlando as condições para entender a temperatura que leva ao branqueamento ou morte, e usamos um probiótico para aumentar a resistência térmica", disse Pereira. Os aquários estão em uma sala onde os cientistas controlam temperatura, salinidade e saúde dos pólipos.

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Primeiro ano de pesquisa

A pesquisa, no primeiro ano, conta com sete profissionais, em parceria com a UFRJ e uma instituição da Arábia Saudita. "Esse tipo de estudo já foi feito na Austrália e no Caribe, mas é o primeiro no Nordeste brasileiro", afirmou Pereira. Os próximos passos incluem avaliar os resultados e, se positivos, aplicar a estratégia em recifes naturais. "No final do ano e início do próximo, períodos quentes, queremos testar para evitar mortes em massa", completou.

Importância dos corais

Segundo o pesquisador, grande parte da biodiversidade marinha depende dos recifes. O branqueamento causado pelo aquecimento da água afeta peixes, crustáceos e outras espécies. "O coral branqueia quando afetado pela temperatura; se ficar branco por muito tempo, morre e não se regenera. Perdemos o ecossistema", alertou.

Os corais são essenciais para o equilíbrio marinho, e sua morte gera impactos ambientais, econômicos e sociais. "Têm grande potencial turístico em Pernambuco e Alagoas, e são vitais para a pesca artesanal. A perda compromete a saúde do ecossistema e a economia", destacou. Além disso, a formação dos recifes leva milhares de anos, e a recuperação pode levar gerações.

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