Nas últimas semanas, as praias da Costa Verde do Rio de Janeiro se tornaram cenário de um fenômeno natural: a chegada de pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus). Entre junho e julho, o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) contabilizou 46 ocorrências da espécie nos municípios de Angra dos Reis e Paraty. Desse total, 19 animais foram encontrados vivos e 27 já estavam mortos.
Migração anual traz pinguins ao litoral fluminense
Os pinguins-de-Magalhães migram todos os anos a partir de maio, quando deixam a Patagônia, na Argentina e no Chile, em busca de alimento e de águas mais quentes. Eles percorrem o litoral brasileiro até setembro, fugindo do inverno rigoroso no extremo sul do continente. A Costa Verde, com suas praias e baías, acaba sendo uma rota frequente para esses animais.
Em Angra dos Reis, desde o início de junho, foram encontrados 38 pinguins: 13 vivos e 25 mortos. Já em Paraty, foram oito ocorrências, sendo seis animais vivos e dois mortos. Esses números foram divulgados pelo PMP-BS, que monitora as praias da Bacia de Santos, área que abrange o litoral do Rio de Janeiro até Santa Catarina.
Desgaste da migração e ação humana afetam a saúde dos animais
Após viajarem milhares de quilômetros, muitos pinguins chegam às praias debilitados, desidratados e exaustos. O desgaste natural da migração, somado à influência das correntes marinhas, é um dos principais fatores. No entanto, as ações humanas também têm impacto: o descarte irregular de lixo no mar pode causar ferimentos, intoxicação e até a morte dos animais, como alerta o PMP-BS.
Grande parte dos pinguins encontrados sem vida é composta por jovens que enfrentam a primeira migração. Apesar de acumularem uma espessa camada de gordura para suportar a longa jornada, muitos esgotam essa reserva antes de concluir o percurso. Com isso, ficam magros, vulneráveis ao frio e mais suscetíveis a predadores.
Como agir ao encontrar um pinguim na praia
Qualquer aparição de pinguim deve ser comunicada ao PMP-BS, que é responsável pelo resgate, tratamento e reabilitação dos animais antes de devolvê-los à natureza. O contato pode ser feito pelo telefone 0800-999-5151. Enquanto a equipe especializada não chega, a orientação é não manusear o pinguim, não tentar resfriá-lo, não alimentá-lo e não devolvê-lo ao mar.
O recomendado é manter distância, anotar a localização, registrar uma foto, deixar o animal em um local seguro e com sombra, e acionar o PMP-BS. Essas medidas ajudam a garantir a segurança tanto do animal quanto das pessoas.



