Pausa de 3 minutos na Copa de 2026 visa proteger jogadores do calor extremo
Pausa de 3 minutos na Copa protege jogadores do calor

Calor extremo ameaça a Copa do Mundo de 2026

As mudanças climáticas estão tornando o calor extremo uma ameaça real para a Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, México e Canadá. De acordo com uma análise da Climate Central, organização sem fins lucrativos voltada à ciência climática, 97 dos 104 jogos do torneio têm alta probabilidade de ocorrer em temperaturas prejudiciais ao desempenho dos atletas. O evento acontecerá durante o verão do hemisfério norte, até 19 de julho, e as condições climáticas adversas podem impactar a saúde dos jogadores e a qualidade das partidas.

Estádios mais afetados

A análise aponta que 14 dos 16 estádios-sede registram hoje mais dias de calor extremo do que na década de 1970, quando ocorreu a primeira Copa na América do Norte, no México. Os locais com maior risco são Miami, Cidade do México, Houston e Guadalajara, que tiveram, em média, pelo menos dez dias de calor extremo por ano na última década, entre junho e julho. Apenas os estádios de Houston, Atlanta e Dallas são totalmente fechados e climatizados, o que ameniza os efeitos do calor, mas ainda há riscos para torcedores e trabalhadores nos deslocamentos e nas Fan Fests.

Impacto no desempenho dos jogadores

O calor extremo não apenas desacelera o jogo, mas também desafia a capacidade de resfriamento do corpo, podendo causar exaustão, cãibras, insolação e aumentar o risco de doenças cardiovasculares. A análise da Climate Central baseia-se em uma pesquisa de 2017 que mostrou quedas em métricas básicas de rendimento a partir de 28°C. A umidade agrava ainda mais o risco: pelo índice de bulbo úmido, que simula a sensação térmica na pele molhada de suor, o estresse térmico começa aos 26°C com alta umidade. A Fifa, no entanto, só considera adiamento acima de 32°C de calor úmido.

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Pausa obrigatória para hidratação

Para garantir a integridade física dos jogadores, todos os jogos da Copa de 2026 terão uma pausa de três minutos aos 22 minutos de cada tempo para reposição de líquidos e estratégias de resfriamento. A Fifa afirmou que continuará monitorando as condições em tempo real, integrando a temperatura do termômetro de bulbo úmido e o índice de calor, e está preparada para aplicar protocolos de contingência em caso de condições meteorológicas extremas.

Seleção brasileira sob risco

Os jogos do Brasil na fase de grupos também serão afetados. Contra o Haiti, em 19 de junho, a probabilidade de calor prejudicial é de 43%, 11 pontos percentuais maior devido às mudanças climáticas. Já contra a Escócia, em 24 de junho, em Miami, a chance sobe para 95%, um aumento de 14 pontos percentuais. O estádio de Miami tem cobertura parcial e registrou um dos maiores aumentos na taxa de dias de calor extremo entre junho e julho.

Partida mais impactada

O levantamento mostra que a partida mais impactada pelo aquecimento global será entre Espanha e Uruguai, em 26 de junho, no Estádio de Guadalajara: há 70% de chance de calor prejudicial à performance, aumento de 37 pontos percentuais devido à mudança climática. A final, em 19 de julho no MetLife Stadium, em Nova York, tem 47% de probabilidade de calor prejudicial, 17 pontos percentuais maior por causa da mudança do clima.

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