Uma obra de mobilidade urbana em Rio Claro (SP) tem gerado discussão entre moradores, entidades ambientais e a prefeitura. O projeto prevê a interligação de avenidas na região norte da cidade, mas inclui a retirada de árvores da área, o que levantou questionamentos sobre os impactos ambientais e possíveis alternativas para a ligação entre os bairros.
Detalhes da obra
A obra começou em março e tem previsão de entrega para janeiro de 2027. O investimento, com apoio do governo federal, ultrapassa R$ 2 milhões e inclui asfalto e drenagem na avenida M37, nos jardins Santa Clara e Hipódromo.
Reclamações ambientais
Organizações ligadas à proteção do meio ambiente criticam o corte das árvores. “Não é uma grande obra viária que há necessidade de derrubar isso aqui. Poderia desviar isso, entendeu, com outra mobilidade urbana que pudesse contemplar o trajeto. Estamos em uma crise de clima e precisamos dessas áreas verdes", disse Orivaldo Augusto, representante da Sociedade Rio Clarense de Defesa do Meio Ambiente.
Segundo o grupo, no local existem espécies ameaçadas de extinção, como o pau-brasil, além de árvores raras como o cebolão e o jacarandá-mimuso. "A área já está formada e nunca deveria nem ser cogitado arrancar essas árvores aqui que fornecem oxigênio para a gente. É inviável isso", afirmou a engenheira agrônoma Bia Mônaco.
A associação também questiona o traçado da obra, alegando que já existem acessos alternativos entre os bairros e ligações entre eles.
Decisão e compensação
A prefeitura informou que serão retiradas 45 árvores, mas o grupo ambiental fez um levantamento e afirma que o número é muito maior: 320 exemplares. Em nota, a administração municipal disse que pretende realizar o plantio de 775 árvores para compensar a remoção e que a decisão foi tomada após avaliação técnica, seguindo a Lei Municipal de Arborização Urbana.
Preocupações dos moradores
Além do impacto ambiental, moradores da região temem aumento da insegurança com o maior fluxo de veículos. “Há uns dois anos atrás tinha muito roubo. Se abrir a rua ali, tirar as árvores, eu acho que vai movimentar mais. E não tem necessidade", disse a moradora Rosa.
Posicionamento da prefeitura
A Prefeitura de Rio Claro afirmou que as obras viárias são definidas a partir de critérios técnicos da equipe de mobilidade urbana e engenharia civil. A região, segundo a nota, foi uma das que mais cresceu nos últimos anos, com novos empreendimentos imobiliários, e por isso precisa de intervenções.
A CETESB informou que, em alguns casos, a autorização para corte de árvores pode ser concedida diretamente pelo município, desde que haja análise técnica, quando se trata de espécies nativas isoladas em área urbana fora de preservação permanente.
Ação no Ministério Público
No dia 12 de maio, moradores entraram com uma ação no Ministério Público. O órgão informou que aguarda retorno da Promotoria de Justiça de Rio Claro.



