O Mutirão de Reflorestamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima do Rio de Janeiro completa 40 anos com a marca de 11 milhões de árvores plantadas. Criado inicialmente para ajudar na manutenção dos recursos hídricos e na contenção de deslizamentos em encostas, o projeto passou a atuar também na recuperação ambiental de áreas degradadas e na melhoria da qualidade de vida das comunidades.
Impacto na prevenção de desastres
Segundo a prefeitura, o reflorestamento de encostas com espécies nativas contribui para reduzir incêndios, proteger nascentes e minimizar os impactos das chuvas. “É muito importante a gente poder fazer a revegetação desses locais, justamente para poder reduzir a velocidade da energia da água descendo encosta abaixo”, explicou o engenheiro florestal Jolmerson de Medeiros.
Do viveiro ao plantio
O trabalho começa com a produção de mudas em viveiros e envolve dezenas de profissionais até o plantio em campo. A iniciativa também conta com a participação de agentes e voluntários. Na Estrada do Cantagalo, em Campo Grande, uma das áreas reflorestadas, enfrentava pelo menos 2 incêndios por ano. Segundo os participantes do projeto, o local era ocupado principalmente por capim e pastagem antes do início da recuperação ambiental.
Recorde de restauração
Para o coordenador de mudanças climáticas da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima, Gaio Jorge de Paiva, o mutirão é uma das principais iniciativas de restauração ambiental da cidade. “Acho que nenhuma outra cidade do planeta reflorestou 11 milhões de árvores”, afirmou. Segundo ele, o município planta, em média, cerca de 150 mil árvores por ano. Paiva também citou o reflorestamento da Floresta da Posse, que busca conectar áreas dos maciços da Pedra Branca e do Mendanha.
Participação da comunidade
Apesar de serem conhecidos como voluntários, os participantes do mutirão recebem uma bolsa-auxílio para atuar no plantio e na manutenção das áreas reflorestadas. Valéria Maria Delgado, uma das voluntárias, contou que a aroeira teve um desempenho muito bom no reflorestamento. “Conseguiu resistir às variações climáticas”, afirmou. Valéria disse que utiliza os frutos da árvore na alimentação. “Você bate ela com sal grosso, vai fazer um pozinho, e vai temperar a sua carne, o seu feijão, o seu arroz.”
Mudanças climáticas e preservação
Segundo Gaio Jorge de Paiva, o reflorestamento também é uma ferramenta importante no enfrentamento das mudanças climáticas. “Ele é a principal tecnologia que existe no mundo para evitar e conter, minimizar esses impactos”, afirmou. O coordenador destacou que as áreas reflorestadas ajudam na captura de carbono da atmosfera, na proteção de nascentes e bacias hidrográficas e na preservação das encostas. Além dos benefícios ambientais, ele ressaltou o impacto da arborização na temperatura urbana. “A gente não pode esquecer do papel que as árvores têm do frescor. Uma área arborizada é uma área mais fresca. Então, portanto, plantem árvores!”



