Junho mais quente nos oceanos já registrado; aquecimento deve continuar
Junho mais quente nos oceanos já registrado: aquecimento deve continuar

A temperatura média da superfície dos oceanos atingiu 20,9°C em junho de 2026, o maior valor já registrado para o mês, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). O recorde anterior, de 20,8°C, havia sido estabelecido em junho de 2023. O aquecimento deve continuar nos próximos meses, impulsionado pelo fenômeno El Niño e pelas mudanças climáticas.

Dados do recorde

De acordo com a NOAA, a temperatura da superfície do mar em junho de 2026 ficou 0,2°C acima da média histórica para o período entre 1982 e 2011. O monitoramento é feito por satélites e boias oceânicas. O aquecimento foi observado em todos os oceanos, com destaque para o Atlântico Norte, que registrou 1,5°C acima da média.

Causas do aquecimento

O principal fator apontado pelos cientistas é a combinação do aquecimento global de longo prazo com o El Niño, que aquece as águas do Pacífico Equatorial. “O oceano está absorvendo mais de 90% do calor gerado pelas emissões de gases de efeito estufa”, afirmou Michael Mann, climatologista da Universidade da Pensilvânia. “Esse recorde é mais um sinal de que a crise climática está se acelerando.”

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Impactos nos ecossistemas

O aumento da temperatura oceânica provoca branqueamento de corais, migração de espécies marinhas e redução da produtividade pesqueira. Em junho, a Grande Barreira de Corais, na Austrália, sofreu o quarto evento de branqueamento em massa em sete anos. A NOAA prevê que, se as temperaturas continuarem subindo, até 90% dos corais tropicais podem desaparecer até 2050.

Previsões para o futuro

O Centro de Previsão Climática da NOAA indica que há 70% de chance de o El Niño persistir até o final de 2026, mantendo as temperaturas oceânicas elevadas. Além disso, a tendência de aquecimento global deve fazer com que novos recordes sejam quebrados nos próximos anos. “Estamos entrando em território desconhecido”, alerta a oceanógrafa Sarah Johnson, da Universidade de Miami.

O que pode ser feito

Especialistas defendem a redução urgente das emissões de carbono e a expansão de áreas marinhas protegidas. A ONU lançou em 2025 a Década do Oceano, com metas de conservação e restauração. No entanto, sem ações concretas, o aquecimento dos oceanos continuará a ameaçar a vida marinha e as comunidades costeiras.

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