Desmatamento na Mata Atlântica cai 28% e atinge menor nível em 4 anos
Desmate na Mata Atlântica cai 28% e é o menor em 4 anos

A Mata Atlântica é, ao mesmo tempo, cicatriz e laboratório. Carrega as marcas do desmatamento iniciado no século 16, mas também evidências de que a regeneração é possível. Foi o primeiro bioma brasileiro a sofrer perda em larga escala e, embora permaneça ameaçado, tornou-se a experiência mais avançada de recuperação florestal do País. A possibilidade de reverter uma trajetória histórica de devastação – algo raro no mundo – começa a se tornar realidade.

Queda histórica no desmatamento

O desmatamento no bioma caiu 28% entre 2024 e 2025, passando de 53.303 para 38.385 hectares. É o menor valor registrado nos quatro anos de atividade do sistema de alertas desenvolvido pela Fundação SOS Mata Atlântica, pelo MapBiomas e pela Arcplan. A redução acumulada chega a 47% em relação a 2023 – trajetória consistente que indica que políticas públicas e instrumentos de controle ambiental funcionam quando aplicados com seriedade.

Florestas maduras: redução expressiva

A queda foi ainda mais expressiva nas florestas maduras, que representam cerca de metade da área florestal remanescente do bioma, concentram grande parte da biodiversidade e têm maior capacidade de estocar carbono. O desmatamento nessas áreas foi reduzido em 40% e ficou, pela primeira vez, abaixo da marca de 10 mil hectares.

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Essas florestas são monitoradas pelo Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, colaboração entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a SOS Mata Atlântica – uma das mais longevas do mundo no mapeamento de matas tropicais. Ao longo de 40 anos, esse trabalho construiu a base de dados que hoje permite avaliar com precisão a evolução das derrubadas e orientar políticas públicas.

Políticas públicas e resultados concretos

É esse olhar dedicado ao longo do tempo que deixa evidente que a redução recente não ocorreu por acaso. Resulta de medidas como a Operação Mata Atlântica em Pé, a aplicação de embargos remotos e a restrição de crédito a áreas desmatadas ilegalmente.

Em outras palavras, é consequência de um processo de proteção do bioma construído ao longo das últimas décadas. Em 2026, completam-se 20 anos da Lei da Mata Atlântica, marco na governança ambiental brasileira e referência internacional em proteção de florestas. Também se celebram os 40 anos de atuação da SOS Mata Atlântica, organização que ajudou a transformar a conservação do bioma em uma causa nacional.

Vigilância contínua e desafios futuros

A comemoração, no entanto, precisa conviver com a vigilância. O desmatamento continua acontecendo – e cada fragmento perdido faz diferença. Praticamente toda a área suprimida (96%) foi convertida para uso agropecuário e, em grande parte, com indícios de ilegalidade. Estamos falando, portanto, de um desmatamento que poderia estar sendo evitado e não se justifica.

Temos agora o desafio de manter a trajetória de queda e alcançar o desmatamento zero e a restauração em grande escala até 2030, objetivos alinhados aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. Se isso acontecer, o País terá demonstrado que é possível conciliar produção, conservação e desenvolvimento. As lições acumuladas na Mata Atlântica – erros e acertos – serão decisivas para enfrentar o desafio maior: reverter o desmatamento na Amazônia e em outros biomas brasileiros.

Impactos além da conservação

Mas não se trata apenas de metas. Chegar lá é fundamental para garantir segurança hídrica, estabilidade climática e produtividade agrícola na região que abriga a maior parte da população e da economia nacional – que depende diretamente dos serviços ecossistêmicos da floresta. Mais do que uma vitória ambiental, será uma resposta concreta às crises globais do clima, da biodiversidade e da água.

O Brasil já mostrou que sabe como fazer. Agora precisa sustentar a decisão de continuar fazendo.

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