O evento 'Descarbonização e Competitividade: O Futuro da Indústria Brasileira', realizado em São Paulo nesta quarta-feira (14), reuniu especialistas para debater como conciliar metas ambientais com ganhos de produtividade e inovação. A iniciativa, promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), contou com a participação de representantes do governo, do setor privado e da academia.
Metas ambiciosas exigem planejamento
O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que o Brasil tem potencial para liderar a economia de baixo carbono, mas alertou para a necessidade de políticas públicas estáveis e previsíveis. 'Não podemos repetir erros do passado, quando mudanças bruscas de regras inviabilizaram investimentos', afirmou. Segundo ele, a descarbonização deve ser vista como oportunidade de modernização industrial.
Dados apresentados no evento mostram que o setor industrial brasileiro responde por cerca de 20% das emissões de gases de efeito estufa do país, mas já reduziu em 30% sua intensidade carbônica desde 2005. A meta é alcançar a neutralidade climática até 2050, conforme o compromisso assumido pelo Brasil no Acordo de Paris.
Inovação como motor da transição
O secretário de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Ribeiro, ressaltou que a inovação tecnológica é essencial para reduzir emissões sem sacrificar a competitividade. 'Estamos investindo em linhas de financiamento para pesquisa e desenvolvimento de processos produtivos mais limpos', disse. Ele citou o programa Brasil Carbono Neutro, que prevê R$ 10 bilhões em créditos para empresas que adotarem práticas sustentáveis.
Empresas como a Vale e a Braskem apresentaram cases de sucesso. A Vale reduziu em 15% suas emissões absolutas desde 2016, investindo em energia renovável e eficiência energética. Já a Braskem desenvolve plásticos a partir de fontes renováveis, com pegada de carbono negativa em alguns produtos.
Desafios regulatórios e financeiros
O diretor de Sustentabilidade do BNDES, Marcelo de Sá, apontou que o banco já destinou R$ 5 bilhões para projetos de descarbonização na indústria nos últimos dois anos. 'Precisamos ampliar esse volume, mas isso depende de um marco regulatório claro que dê segurança aos investidores', afirmou.
Entre os principais desafios citados estão a falta de infraestrutura para energias renováveis, a burocracia para licenciamento ambiental e a necessidade de qualificação profissional. 'A transição energética não é apenas tecnológica, é também social', ponderou a economista do Ipea, Ana Paula Vescovi.
Cooperação internacional
O evento também discutiu a inserção do Brasil nas cadeias globais de baixo carbono. O embaixador da União Europeia no Brasil, Ignacio Ybáñez, destacou que o bloco europeu está disposto a cooperar com o país, mas cobrou compromissos mais ambiciosos no combate ao desmatamento. 'O Brasil tem condições de ser um fornecedor de produtos sustentáveis para o mundo, mas precisa demonstrar resultados concretos', disse.
A CNI anunciou a criação de um fórum permanente para monitorar as metas de descarbonização da indústria, com reuniões trimestrais e relatórios públicos de progresso. 'Queremos mostrar que é possível crescer e reduzir emissões ao mesmo tempo', concluiu Ricardo Alban.



