Capobianco: tensão entre ministérios atrasa plano climático de Lula
Capobianco: tensão entre ministérios atrasa plano climático

O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, revelou que tensões entre ministérios estão atrasando o plano do governo Lula para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis. Em entrevista, ele destacou a necessidade de conciliar a pauta ambiental com o combate à pobreza energética e citou garantias para a pavimentação da BR-319 sem comprometer a Amazônia.

Divergências internas travam o 'mapa do caminho'

Capobianco afirmou que as contradições internas herdadas da antecessora Marina Silva ainda persistem. O chamado 'mapa do caminho' para a transição energética, prometido por Lula, enfrenta resistência de setores que priorizam o desenvolvimento econômico imediato. "Há uma tensão legítima entre ministérios, mas precisamos superá-la para avançar", disse.

O ministro lamentou que a autoridade climática, uma das promessas de campanha, tenha ficado apenas na promessa. "Precisamos de uma estrutura robusta para coordenar as ações, mas ainda não saiu do papel", explicou.

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BR-319: garantias ambientais para asfaltamento

Sobre a BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, Capobianco afirmou que o asfaltamento só ocorrerá com garantias ambientais rigorosas. "Não abriremos mão de proteger a floresta. Estudos de impacto e compensações são indispensáveis", destacou. A obra é vista como estratégica para o escoamento da produção, mas ambientalistas alertam para o risco de desmatamento.

Contenção ao 'Super El Niño'

Capobianco detalhou ainda as ações do governo para conter os efeitos do 'Super El Niño', que deve intensificar secas e queimadas na Amazônia. "Estamos mobilizando equipes e recursos para prevenção e resposta rápida", afirmou. O fenômeno climático extremo preocupa pela magnitude e pode agravar a crise hídrica e a perda de biodiversidade.

O ministro concluiu que o Brasil precisa equilibrar desenvolvimento e preservação, mas a janela de oportunidade para agir contra as mudanças climáticas está se fechando. "Não podemos mais adiar decisões", alertou.

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