Brasil atrasado na adaptação climática, alerta Paulo Artaxo
Brasil atrasado na adaptação climática, alerta Artaxo

O físico Paulo Artaxo, professor da Universidade de São Paulo (USP) e membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), alertou que o Brasil está atrasado na preparação para os novos padrões climáticos. Em evento promovido pelo Valor e Insper, ele defendeu a criação de uma cultura nacional de adaptação, com ações 'harmônicas, coordenadas e planejadas' para lidar com secas prolongadas, chuvas intensas e ondas de calor.

Diagnóstico: país não está preparado

Durante a 2ª edição da Imersão Executivos de Valor, Artaxo destacou que os eventos climáticos extremos já são uma realidade no país, mas as respostas ainda são reativas e fragmentadas. 'O Brasil não tem uma cultura de adaptação climática. Nós estamos acostumados a responder depois que o desastre acontece', afirmou o especialista, que também coordena o programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais.

Segundo ele, a falta de planejamento de longo prazo afeta diretamente setores como agricultura, energia e saúde pública. 'Precisamos de políticas que integrem ciência, infraestrutura e gestão de risco, com metas claras e financiamento estável', completou.

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Impactos e números

Artaxo citou dados do IPCC que indicam aumento na frequência e intensidade de eventos extremos no Brasil. 'As projeções mostram que, até 2050, as ondas de calor podem ser até três vezes mais comuns em algumas regiões', disse. Ele também mencionou que a seca na Amazônia, como a de 2023, afetou milhões de pessoas e causou prejuízos bilionários à navegação e à geração de energia.

O especialista defendeu a criação de um sistema nacional de alerta e resposta, com participação de estados e municípios. 'A adaptação não é um custo, é um investimento. Cada real aplicado agora evita perdas muito maiores no futuro', argumentou.

O que fazer

Para Artaxo, o primeiro passo é reconhecer que o clima mudou e que a infraestrutura atual não é suficiente. 'É preciso repensar o desenho das cidades, o uso do solo e a forma como produzimos alimentos', afirmou. Ele também sugeriu a criação de incentivos para práticas resilientes, como a recuperação de nascentes e a construção de reservatórios.

O evento, que reuniu executivos e lideranças, teve como tema 'Transforme tendências em decisões estratégicas'. A iniciativa busca capacitar tomadores de decisão a incorporar variáveis climáticas em seus planejamentos.

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