Aquecimento global pode matar florestas tropicais até 2080
Aquecimento global pode matar florestas tropicais

O calor extremo pode destruir ecossistemas inteiros, e as florestas tropicais estão no limite. Um estudo publicado na revista Nature em 2023 revela que essas florestas suportam um aquecimento global de no máximo 3,9 graus Celsius antes de colapsarem. Atualmente, o planeta aquece 0,5°C por década, e nos cenários mais pessimistas de emissão de carbono (RCP 6 e 8,5), o aumento de 4°C pode ser atingido até 2080.

O limite térmico da vida

Todos os seres vivos morrem em temperaturas elevadas; o que varia é o tempo de exposição. As reações químicas que sustentam a vida dependem de moléculas que perdem sua estrutura e param de funcionar em altas temperaturas. Mesmo organismos termófilos, que vivem perto de vulcões submarinos, raramente resistem a temperaturas acima de 70°C. Na superfície, poucos seres vivos toleram 50°C. Mamíferos usam a transpiração para manter a temperatura interna em torno de 37°C; acima de 42,3°C, há risco de morte.

Em 1864, o cientista Sachs demonstrou que folhas de plantas morrem a temperaturas próximas a 50°C. Hoje sabe-se que apenas alguns segundos a 46,3°C danificam irreversivelmente a maquinaria da fotossíntese.

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Medições por satélite revelam a situação atual

Embora temperaturas atmosféricas de 46,3°C sejam raras fora de desertos, o aumento da variabilidade climática – como o El Niño de 2015, que foi 1,5°C mais quente que o de 1997 – torna possível que essas temperaturas ocorram por algumas horas por ano nos trópicos, o que seria suficiente para matar florestas.

Para investigar esse risco, cientistas usaram a câmera Ecostress, instalada na Estação Espacial Internacional, que mede a temperatura na superfície do planeta. As medições foram calibradas com termômetros colocados na copa das florestas. Os resultados mostram que, nas florestas tropicais, apenas 0,01% do tempo (cerca de 50 minutos por ano) a temperatura da copa atinge 46,3°C, o que ainda não afeta o sistema fotossintético.

Experimentos mostram impacto do aquecimento artificial

Em campos experimentais no Brasil, na Costa Rica e na Austrália, a temperatura na copa das árvores foi elevada artificialmente entre 2 e 4°C para simular o aquecimento global. Nessas condições, as folhas atingiram 46,3°C durante 1,3% do tempo, causando impacto na floresta. Os experimentos ainda estão em andamento e, nos próximos anos, revelarão se as árvores submetidas a essas temperaturas sobrevivem.

O futuro das florestas tropicais

Os cálculos indicam que as florestas tropicais suportam um aquecimento global de até 3,9°C antes de colapsar. Ainda estamos longe desse valor, mas o planeta aquece 0,5°C por década. Nos cenários mais pessimistas de emissão de gás carbônico, um aumento de 4°C pode ocorrer até 2080. Se as emissões não forem controladas, as crianças que nascem hoje podem testemunhar o desaparecimento das florestas tropicais antes dos 60 anos – não por desmatamento, mas pelo calor.

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