Um estudo inédito revela que 91,5% dos municípios brasileiros – ou seja, 5.089 cidades – já enfrentaram ao menos um desastre hídrico entre 1991 e 2024. Os eventos incluem desde secas severas até inundações devastadoras, que juntos afetaram cerca de 129 milhões de pessoas e geraram prejuízos econômicos estimados em US$ 123 bilhões.
Nordeste lidera ranking de ocorrências
De acordo com a pesquisa, o Nordeste é a região com maior número de registros: 1.765 ocorrências. Em seguida aparecem Sudeste (1.405), Sul (1.152), Norte (433) e Centro-Oeste (342). Os dados foram compilados a partir de registros históricos de defesa civil e órgãos meteorológicos.
“A frequência e a intensidade desses eventos vêm aumentando, especialmente nas últimas décadas”, afirma um dos coordenadores do estudo, Carlos Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “As mudanças climáticas e fenômenos como o El Niño potencializam os extremos hídricos.”
Impactos humanos e econômicos
As consequências dos desastres hídricos vão além dos números. Mais de 129 milhões de brasileiros foram diretamente afetados, seja por perda de moradia, deslocamento forçado ou interrupção de serviços básicos. Os prejuízos materiais somam US$ 123 bilhões, valor que inclui danos à infraestrutura, agricultura e indústria.
O estudo também destaca que as secas prolongadas no Nordeste e as enchentes no Sul são os eventos mais recorrentes. “Enquanto o Nordeste sofre com a escassez de água, o Sul enfrenta chuvas torrenciais, muitas vezes agravadas pelo El Niño”, explica Nobre.
Alerta para riscos climáticos iminentes
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta que as condições climáticas atuais, com a atuação do El Niño, podem intensificar ainda mais os desastres hídricos nos próximos meses. “Precisamos de políticas públicas de prevenção e adaptação, especialmente em áreas mais vulneráveis”, ressalta o meteorologista Luiz Cavalcanti, do Inmet.
Os pesquisadores recomendam a criação de sistemas de alerta precoce, investimentos em infraestrutura resiliente e planejamento urbano que considere os riscos climáticos. O estudo completo será apresentado em seminário internacional sobre desastres naturais, previsto para agosto.



