Uma pesquisa do Instituto Aerah House revelou que aproximadamente 8 em cada 10 moradores da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, já sentem os efeitos das mudanças climáticas no dia a dia. O estudo, realizado em abril de 2026, aponta que ondas de calor, enchentes e secas são os principais impactos percebidos pela população. Além disso, cerca de 7 em cada 10 entrevistados avaliam que o Brasil não está cuidando do meio ambiente como deveria.
Percepção da crise climática
A sócia-fundadora do Instituto de Pesquisa Aerah House, Fernanda Faria, avalia que a crise climática deixou de ser vista como um problema distante e passou a fazer parte da realidade da população. "A percepção sobre a crise climática vem acompanhada de crítica ao poder público. O debate já não é sobre sua existência, mas sobre os impactos sentidos e a capacidade do país de enfrentá-los com medidas concretas", afirmou.
Fernanda destacou que a população vive sob pressão financeira, emocional e social, e que novos eventos climáticos extremos podem ampliar a instabilidade. Nesse cenário, cresce a busca por segurança, planejamento e proteção diante da imprevisibilidade. Os resultados indicam que moradores da Baixada Santista relacionam meio ambiente à qualidade de vida e ao planejamento familiar.
El Niño e medidas de adaptação
O tema ganhou destaque com o monitoramento de especialistas sobre a formação de um novo episódio do El Niño. O fenômeno, marcado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, voltou a se formar oficialmente na primeira semana de junho e vem se fortalecendo rapidamente, podendo atingir intensidade forte a muito forte nos próximos meses. O El Niño provoca efeitos significativos no Brasil, como secas mais severas em algumas regiões, aumento das chuvas em outras e maior ocorrência de eventos extremos.
O Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema) pediu esclarecimentos às nove cidades da Baixada Santista após a confirmação da formação do El Niño. O objetivo é verificar a adoção de medidas contra os possíveis impactos do fenômeno na região. O Gaema, órgão especializado do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), instaurou um Procedimento Administrativo de Acompanhamento, conduzido pela promotora Almachia Acerbi.
Dados solicitados às prefeituras
As prefeituras da Baixada Santista devem fornecer informações sobre: existência de planos municipais de contingência e prevenção; ações da Defesa Civil para emissão de alertas e realização de simulados; realização de obras de drenagem e contenção de encostas em áreas vulneráveis; e possível articulação entre as prefeituras e os governos estadual e federal para adoção de medidas conjuntas de enfrentamento dos efeitos do fenômeno.
Sobre a pesquisa
A pesquisa "O Brasil de Agora - A Vida Sob Novas Condições" foi realizada pela Aerah House com 2.000 brasileiros acima de 18 anos em todas as regiões do país. Com mais de 25 perguntas, a coleta foi realizada em abril de 2026, com amostra representativa da população brasileira por região, sexo, faixa etária e classe social. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Para Fernanda Faria, o alerta é claro: "A sociedade já sente os riscos e espera respostas efetivas contra a crise climática. O desafio é construir respostas concretas. A população reconhece os efeitos das mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, acredita que o país não está cuidando do meio ambiente como deveria. Isso sugere uma expectativa crescente por planejamento, prevenção e adaptação."



