Biólogo flagra 18 sofás em 58 segundos na Lagoa da Tijuca; protesto viraliza
18 sofás em 58 segundos: biólogo protesta contra lixo na Lagoa da Tijuca

O biólogo Mario Moscatelli, conhecido por denunciar o descarte irregular de lixo no Complexo Lagunar da Barra e Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, publicou nesta sexta-feira (17) um vídeo que virou protesto: em apenas 58 segundos, ele contabilizou 18 sofás boiando nas águas da Lagoa da Tijuca, nas proximidades de Rio das Pedras. As imagens, divulgadas em suas redes sociais, mostram também outros resíduos como colchões e entulho, evidenciando a gravidade do problema.

Problema antigo e persistente

Moscatelli, que há décadas alerta sobre a degradação das lagoas da região, afirmou que a situação é recorrente e se agrava a cada ano. "É um descaso histórico. A gente vê sofá, geladeira, tudo que é tipo de lixo sendo jogado dentro da lagoa. Isso não é novidade, mas a frequência e a quantidade aumentaram", disse o biólogo em entrevista. Ele destacou que, apesar dos investimentos em ecobarreiras e programas de revitalização, o lixo continua chegando, principalmente após chuvas fortes, quando o sistema de drenagem carrega os resíduos das ruas para as lagoas.

Impactos ambientais e riscos à população

O acúmulo de lixo nas lagoas reduz a profundidade dos corpos d'água, comprometendo a capacidade de escoamento e aumentando o risco de enchentes nas comunidades do entorno. Além disso, a decomposição dos materiais libera substâncias tóxicas e contribui para a proliferação de vetores de doenças, como mosquitos e ratos. "Não é só uma questão estética. É um problema de saúde pública e de segurança hídrica", alerta Moscatelli.

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Dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente indicam que, só no primeiro semestre de 2026, foram retiradas mais de 200 toneladas de resíduos das lagoas da Barra e Jacarepaguá. No entanto, o esforço não tem sido suficiente para conter o descarte ilegal. O biólogo critica a falta de fiscalização e de políticas efetivas de educação ambiental. "Enquanto não houver punição para quem joga lixo e campanhas de conscientização, vamos continuar vendo sofá boiando", completou.

Protesto viral e cobrança por soluções

O vídeo de Moscatelli já acumula milhares de visualizações e compartilhamentos, gerando comoção e cobranças nas redes sociais. Moradores da região também se manifestaram, relatando que o problema se intensificou nos últimos meses. A Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria de Conservação, informou que intensificará a limpeza das lagoas e a instalação de novas ecobarreiras, mas reconhece que a solução definitiva depende da conscientização da população e do combate ao descarte irregular.

Para Moscatelli, a situação exige ação urgente. "Não adianta só limpar. Tem que educar, fiscalizar e punir. O poder público precisa tratar isso como prioridade, senão vamos perder de vez nossas lagoas", concluiu.

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