Vítima relata paralisia em suposto estupro por vereador de Sertãozinho
Vítima relata paralisia em suposto estupro por vereador

Uma mulher que acusa o vereador Antonio Cesar Peghini (PL), conhecido como Cesinha, de estupro dentro do gabinete dele na Câmara de Sertãozinho (SP) revelou em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, que ficou paralisada durante a suposta agressão. O caso ocorreu em 15 de junho, após troca de mensagens sobre ajuda para conseguir emprego. A denunciante afirma que foi chamada ao Legislativo para tratar de trabalho, mas que, no momento em que se preparava para sair, foi abordada pelo parlamentar.

Relato da vítima

“Eu não tive reação, eu paralisei. Eu sabia que não ia adiantar eu gritar, que não teria ninguém ali, a secretária dele já não estava mais”, disse a mulher, que preferiu não se identificar. Ela contou que passava por dificuldades financeiras e emocionais, o que a levou a procurar o vereador. “Ele se aproveitou que eu estava passando pelo estado da depressão, da situação financeira. Eu não preciso me vender, eu não preciso ter relação íntima para ter um serviço.”

Segundo o relato, o encontro foi marcado por mensagens em que Cesinha teria perguntado se ela poderia ir à Câmara às 17h, afirmando que liberaria a entrada e que a secretária sairia nesse horário. A vítima detalha que, no gabinete, a conversa seria sobre emprego, mas que, quando estavam prestes a ir embora, o vereador a atacou. “Na hora que era para a gente estar indo embora, foi onde ele me abordou. Ele me jogou no chão para poder cometer o ato.”

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Investigação e medidas protetivas

A Polícia Civil investiga o caso como suspeita de crime contra a dignidade sexual. A Justiça concedeu medidas protetivas à mulher, incluindo proibição de aproximação e contato com o vereador por qualquer meio. A decisão judicial menciona que há indícios suficientes para a apuração, mas ressalta que não há juízo de certeza sobre a responsabilidade penal do acusado.

A denunciante apresentou à polícia mensagens que atribui a conversas com Cesinha. Os registros mostram pedidos de ajuda por falta de emprego e a combinação do encontro. Em um trecho posterior, ela escreveu: “Fui para conversar com você sobre o serviço e você me agarrou à força sem eu querer”. As mensagens integram o inquérito policial.

Comissão processante na Câmara

A Câmara de Sertãozinho aprovou por unanimidade a abertura de uma comissão processante para apurar possível quebra de decoro parlamentar. O procedimento não julga crime, mas pode levar à cassação do mandato. O vereador Cesinha não participou da votação, mas pediu que os colegas votassem a favor da comissão. “Eu gostaria que todos os vereadores votassem favorável à abertura dessa comissão, até mesmo para a gente provar a nossa inocência”, declarou durante a sessão.

A comissão é formada por Juan Luis Flores Bertuso, José André Roberto Tomasi e Marília Gabriela Fernandes da Silva, com prazo de até 90 dias para concluir os trabalhos.

Defesa do vereador

Em nota enviada ao g1, Cesinha negou todas as acusações e afirmou que “a verdade” será esclarecida no processo. Ele também disse que não houve promessa nem intermediação de emprego, argumentando que a função de vereador “não gera emprego”. Sobre as medidas protetivas, afirmou que confia no Judiciário, que provará sua inocência e que não tem interesse em descumprir ordens judiciais.

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