Vereador suspeito de estupro pediu que vítima fosse ao gabinete às 17h
Vereador suspeito de estupro pediu que vítima fosse às 17h

Mensagens atribuídas ao vereador Antonio Cesar Peghini (PL), conhecido como Cesinha, por uma mulher que o acusa de estupro dentro do gabinete em Sertãozinho (SP), revelam que ele pediu para que ela fosse ao local em um horário em que estivessem sozinhos. A conversa, obtida pela EPTV, afiliada da TV Globo, ocorreu no dia 15 de junho, mesma data dos fatos relatados pela vítima. Nela, o interlocutor orienta a mulher, que pedia ajuda para conseguir um emprego, a comparecer ao gabinete às 17h, horário em que a secretária dele já teria saído.

Contexto da conversa e o convite

Antes do convite, segundo a troca de mensagens, o vereador já vinha pedindo para vê-la pessoalmente. De acordo com a vítima, o contato começou por causa de dificuldades financeiras, mas as conversas passaram a ter teor pessoal e sexual antes do encontro no Legislativo. Em um dos trechos, ela relata as dificuldades: "No meu caso está sendo difícil, você sabe o que o seu filho te pedir um pacote de bolacha e você não ter para dar."

Em seguida, o vereador responde afirmando que gostaria muito de ajudá-la, mas que ela não quer, além de um trabalho. Ele ainda diz que nunca arrumou trabalho para ninguém na Prefeitura e que ela seria a primeira pessoa a passar por isso. "Eu gostaria muito de te ajudar, mas você não quer. Ou seja, além de um trabalho pra você."

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O convite para a Câmara

Na mensagem seguinte, segundo a vítima, é o momento do convite para que ela fosse à Câmara. "Você consegue ir às 5 horas na Câmara amanhã? (...) Eles ligam para mim, eu libero a entrada simples de boa, se você falar que vai." Ele ainda teria escrito que ela precisava estar lá às 17 horas, pois a secretária iria embora nesse horário. "Mas você precisa estar lá às cinco horas. Pois minha secretária vai embora às cinco." Mais adiante, ele volta a falar da secretária: "Vou dispensar mais cedo a secretária."

Dias depois, na mesma troca de mensagens, a mulher acusa o vereador de se aproveitar da situação para abusar dela. "Fui para conversar com você sobre o serviço e você me agarrou à força sem eu querer, seu nojento."

Investigações e medidas legais

As denúncias contra o vereador são investigadas tanto pela Polícia Civil quanto pela Câmara. Na esfera criminal, o parlamentar é alvo de um inquérito por crime contra a dignidade sexual, ainda em fase inicial. Além disso, é alvo de uma medida protetiva, que o proíbe de se aproximar da vítima. No legislativo, Peghini é alvo de uma comissão processante por quebra de decoro parlamentar, instaurada no início desta semana por unanimidade.

Segundo a leitura resumida feita em plenário, a denunciante afirmou que procurou agentes políticos em razão de dificuldades financeiras e da busca por emprego. Entre eles, estava o vereador denunciado. Ainda de acordo com a denúncia, as conversas, inicialmente sobre a possibilidade de trabalho, passaram a ter manifestações pessoais e sexuais. A mulher relatou que foi convidada a ir ao gabinete do parlamentar para tratar de assuntos relacionados a emprego e que, durante o encontro, teria sido submetida sem consentimento a ato sexual. A denúncia também aponta que os fatos teriam causado intenso sofrimento psicológico à mulher.

Posição do vereador e da Câmara

Em nota, o vereador negou todas as acusações e afirmou que a verdade será esclarecida no decorrer do processo. Ele também disse que não houve promessa nem intermediação de emprego para a mulher, argumentou que a função de vereador "não gera emprego" e afirmou que não teria como prometer algo que não poderia cumprir. Sobre as medidas protetivas determinadas pela Justiça, disse que confia no Judiciário, que vai provar inocência e que não tem interesse nem motivos para descumprir ordens judiciais.

Durante a sessão, a presidência da Câmara afirmou que a leitura da denúncia não representava juízo sobre a veracidade das alegações nem sobre eventual responsabilidade do vereador. Também foi destacado que a Câmara apura possível responsabilidade político-administrativa, enquanto eventual responsabilidade criminal cabe às autoridades competentes e ao Poder Judiciário.

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