Um vídeo que mostra um incêndio de grandes proporções em Teerã está sendo compartilhado como se fosse um bombardeio das Forças Armadas dos Estados Unidos contra instalações militares iranianas. No entanto, a checagem do Estadão Verifica concluiu que o conteúdo é enganoso: as imagens são de 7 de março e registram um ataque israelense a um depósito de petróleo na capital iraniana.
O que mostra o vídeo
As imagens exibem chamas e fumaça espessa em uma área de armazenamento de combustível. Postagens nas redes sociais afirmavam que se tratava de uma ação americana que teria destruído centros de comando, radares e fábricas de drones no Irã. O Estadão Verifica investigou a origem do material e constatou que ele não é recente nem retrata um bombardeio dos EUA.
Origem do vídeo
O vídeo foi gravado em 7 de março de 2025 e mostra um ataque israelense a um depósito de petróleo em Teerã. A conta que postou o conteúdo no Instagram foi procurada pela reportagem, mas não houve resposta. Entre as contas que publicaram o vídeo estão a da historiadora Assal Rad, especialista em Oriente Médio, e a da Organização dos Mujahedin do Povo do Irã, movimento de oposição ao governo iraniano.
O mesmo material foi veiculado por canais de notícias internacionais, como o indiano NDTV e o australiano Nine News. A rede de televisão do Catar Al Jazeera também exibiu um vídeo do mesmo incêndio, mas de um ângulo diferente. Segundo a Al Jazeera, as imagens são do depósito de petróleo de Shehran, no norte de Teerã, e militares israelenses reivindicaram a autoria do ataque, alegando que o depósito estava ligado às forças armadas iranianas.
Comparação de imagens
A comparação entre o vídeo checado e o veiculado pela Al Jazeera mostra as mesmas estruturas, como uma pequena construção e uma torre, confirmando que se trata do mesmo evento. Uma checagem da agência paquistanesa iVerify Pakistan, feita em abril, também demonstrou que as imagens foram gravadas em 7 de março.
Contexto do conflito
O vídeo desinforma ao ser compartilhado no contexto de uma nova escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. O governo americano mantém um bloqueio naval contra embarcações iranianas no Estreito de Ormuz e intensificou a ofensiva militar. Em 16 de janeiro, bombardeios atingiram áreas próximas a Teerã pela primeira vez nesta nova fase do conflito.
A ação americana foi seguida por uma retaliação iraniana, com mísseis e drones, contra países do Oriente Médio que abrigam forças americanas. O Irã ameaça fechar novas rotas estratégicas para a exportação de petróleo e gás, ampliando as advertências que antes estavam concentradas no Estreito de Ormuz. A nova onda de ataques ocorre após o fracasso de um acordo provisório que buscava interromper os confrontos entre Washington e Teerã.



