TJ-SP nega redução de pena a Lindemberg por nota baixa no Enem
TJ-SP nega redução de pena a Lindemberg por nota do Enem

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) rejeitou o pedido da defesa de Lindemberg Alves para reduzir em 80 dias a pena de 39 anos de prisão, sob a alegação de que ele não obteve a pontuação mínima necessária no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025. Lindemberg cumpre pena em Potim, interior de São Paulo, pela morte da ex-namorada Eloá Pimentel, ocorrida em 2008.

Pedido de redução negado

Em março deste ano, a defesa de Lindemberg solicitou à Justiça a remição de 80 dias da pena com base na participação do detento no Enem de 2025, alegando que ele atingiu a média de notas em quatro áreas de conhecimento. No entanto, a juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani, do TJ-SP, indeferiu o pedido, destacando que, para aprovação no exame, são exigidos no mínimo 450 pontos em cada área de conhecimento e 500 pontos na redação. Segundo a magistrada, Lindemberg não obteve a pontuação mínima em uma das áreas, sendo, portanto, reprovado.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) também se manifestou contra o pedido, citando uma recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que exige aprovação nos exames para o reconhecimento da remição. O documento apresentado pela defesa revelou que Lindemberg tirou 361,6 pontos em Matemática e suas Tecnologias, abaixo do mínimo exigido. O MP concluiu que ele foi reprovado e não faz jus à redução.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Reduções anteriores já concedidas

Apesar da negativa, Lindemberg já obteve reduções significativas ao longo de sua pena. Segundo cálculos da Justiça, ele já remiu 887 dias: 465 dias por trabalho entre janeiro de 2009 e fevereiro de 2015; 313 dias por trabalho entre novembro de 2015 e fevereiro de 2020; e 109 dias autorizados em março de 2024, referentes ao trabalho entre 2021 e 2024 e à conclusão de um curso de empreendedorismo. Nesse último caso, o MP foi favorável ao pedido. A Lei de Execução Penal prevê que cada detento pode remir um dia de pena a cada três dias trabalhados.

O caso Eloá

O crime ocorreu em 13 de outubro de 2008, em Santo André (SP). Lindemberg invadiu o apartamento de Eloá Pimentel, então com 15 anos, e manteve ela, a amiga Nayara Rodrigues e outros dois colegas reféns por cinco dias. Após negociações, a polícia invadiu o local em 17 de outubro, quando Lindemberg atirou em Nayara (que sobreviveu) e disparou dois tiros contra Eloá, que morreu. Lindemberg foi preso em flagrante e, em 2012, condenado a 98 anos de prisão, pena reduzida para 39 anos em 2013. Em 2021, ele obteve progressão ao regime semiaberto, mas o benefício foi revogado quatro meses depois. Em 2022, conseguiu novamente progredir ao semiaberto, onde permanece.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar