Para ala do STF, proibição de visita a Bolsonaro é arma para Flávio e impulsiona discurso de perseguição
STF: proibição de visita a Bolsonaro impulsiona discurso de perseguição

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu, por 90 dias, as visitas de Flávio Bolsonaro ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, gerou reações intensas nos bastidores da Corte. Para uma ala do STF, a proibição é vista como uma arma política contra Flávio e impulsiona o discurso de 'perseguição' adotado pela família Bolsonaro e seus apoiadores.

Decisão leva em conta carta divulgada nas redes

A decisão do ministro levou em consideração a carta de Bolsonaro que foi divulgada nas redes sociais do senador no último final de semana. O conteúdo da carta, que criticava duramente o STF e o sistema eleitoral, foi considerado pelo magistrado como uma tentativa de interferir nas investigações em curso. Com isso, as visitas de Flávio ao pai foram suspensas por três meses.

O advogado Tracy Reinaldet, que defende Flávio, classificou a decisão como “inconstitucional”. Em declaração à imprensa, ele afirmou que a medida fere o direito de visitação e o convívio familiar, protegidos pela Constituição. “É uma clara perseguição política”, disse o advogado.

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Impacto político e reações

A suspensão das visitas ocorre em um momento de tensão entre o STF e o ex-presidente, que é alvo de múltiplas investigações. Para analistas, a decisão pode fortalecer a narrativa de que há uma perseguição judicial contra Bolsonaro e seus familiares. Nas redes sociais, apoiadores do ex-presidente já utilizam o caso para criticar o STF e pedir a abertura de um processo de impeachment contra os ministros.

Por outro lado, integrantes do STF defendem a medida como necessária para garantir a integridade das investigações. “Não se trata de perseguição, mas de assegurar que o direito não seja usado para obstruir a Justiça”, afirmou uma fonte da Corte, sob condição de anonimato.

Contexto das investigações

Jair Bolsonaro é investigado em pelo menos quatro inquéritos no STF, que apuram desde supostas interferências na Polícia Federal até a disseminação de notícias falsas. A carta divulgada por Flávio, na qual o ex-presidente critica duramente o ministro Alexandre de Moraes, é vista como mais um elemento de pressão contra o Judiciário.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, também é alvo de investigações, incluindo o caso das rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A proibição de visitas ao pai, segundo seus advogados, dificulta a preparação da defesa e o contato familiar.

Próximos passos

A defesa de Flávio já anunciou que recorrerá da decisão. O caso deve ser levado ao plenário do STF, onde os ministros decidirão se mantêm ou revertem a suspensão. Enquanto isso, a família Bolsonaro intensifica o discurso de perseguição, em uma tentativa de mobilizar a opinião pública contra a Corte.

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