STF autoriza investigação de Lulinha por tráfico de influência na Saúde
STF autoriza investigação de Lulinha por tráfico de influência

Autorização do inquérito

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito para investigar suspeitas de que Fabio Luis Lula da Silva, conhecido como "Lulinha", filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tenha praticado os crimes de tráfico de influência e corrupção. A decisão atende a um pedido da Polícia Federal (PF) protocolado na semana passada. As investigações miram a atuação de Lulinha para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, em negócios com o Ministério da Saúde.

Suspeitas de tráfico de influência

Segundo a PF, Lulinha teria atuado para que o Careca fosse recebido no Ministério da Saúde, em 2024 e 2025, com o objetivo de fechar contratos milionários para venda de medicamentos à base de canabidiol. O lobista contratou a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, para prospectar negócios de cannabis medicinal junto ao governo federal em favor da empresa World Cannabis, de propriedade do Careca. A defesa de Roberta nega irregularidades e afirma que jamais repassou valores a Lulinha. Os contratos, no entanto, não foram concretizados.

Dados de quebra de sigilo bancário revelaram que Lulinha realizou 1,5 mil transações financeiras e movimentou R$ 19,5 milhões entre 2022 e 2026. Esse volume de movimentações é um dos elementos que chamaram a atenção das autoridades.

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Reunião no Ministério da Saúde

Em janeiro de 2025, o Careca do INSS foi recebido no Ministério da Saúde por Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, então secretário-executivo da pasta, cargo número 2 na hierarquia. Berger, que posteriormente se tornou chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal da Presidência, afirmou ao g1 que "a agenda ocorreu em conformidade com as atribuições da sua função à época, sem que tenha havido qualquer tipo de 'orientação' para a sua realização". Ele acrescentou: "Como não houve interesse do ministério em adquirir qualquer produto ou serviço da empresa, o encontro não teve nenhum desdobramento, o que evidencia sua condução técnica e afasta a tese de qualquer tipo de influência política".

A PF suspeita que a reunião tenha sido intermediada por Lulinha, o que configuraria tráfico de influência. As investigações correm sob sigilo.

Defesa de Lulinha

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, classificou a abertura do inquérito como "pesca probatória". Em suas palavras: "Lulinha já demonstrou que não tem relação direta ou indireta com o INSS e não tem relação com os negócios da Roberta. A PF não achou nada no INSS e vai procurar em outro lugar. Isso é pesca probatória. Isso é grave". Carvalho afirmou que a PF não encontrou irregularidades envolvendo Lulinha na investigação das fraudes do INSS — a Operação Sem Desconto —, e que por isso teria solicitado um novo inquérito focado na área da saúde.

A informação foi publicada inicialmente pela Folha de S. Paulo e confirmada pelo g1. O ministro André Mendonça foi sorteado relator da investigação no STF, que agora segue para apuração dos fatos.

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