Após cinco adiamentos, os policiais militares acusados de matar o empresário Rinaldo Magalhães a tiros de fuzil, em fevereiro de 2021, em Mairinque (SP), vão a júri popular nesta quinta-feira (18). O julgamento estava marcado para 5 de fevereiro, mas foi adiado porque um dos jurados afirmou não se considerar apto para julgar o caso. Na ocasião, o conselho de sentença já havia sido formado e os debates se estenderam até o início da noite, mas, na reta final, o jurado se declarou inapto, levando à dissolução do conselho e ao remarcamento da sessão.
O caso
Rinaldo tinha 55 anos e era proprietário de uma marina na cidade. Segundo o boletim de ocorrência registrado pelos policiais do Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar (Baep), o empresário dirigia um carro blindado em uma estrada de terra próxima à represa de Itupararanga. Ele teria saído do veículo e atirado contra três policiais que investigavam uma denúncia de tráfico de drogas. Os policiais afirmaram que um carro branco estaria transportando armas e drogas, mesma cor do veículo do empresário, que foi atingido por dois tiros de fuzil. Socorrido, Rinaldo morreu horas depois no pronto-socorro de Mairinque.
A acusação
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) acusa os policiais de homicídio qualificado, por terem utilizado recursos que impossibilitaram a defesa da vítima. O crime ocorreu na casa da família, às margens da Represa de Itupararanga. Além disso, cinco PMs já foram condenados em segunda instância pela Justiça Militar por tortura contra a esposa do empresário e invasão de domicílio. Cabe recurso da decisão.
Versão da família
Familiares e amigos de Rinaldo contam uma história diferente. Segundo eles, um homem pediu para falar com o empresário no portão. Como a distância da casa até a entrada é grande, Rinaldo teria ido de carro, que é blindado. Ele abriu o portão para ver quem chamava, mas cinco pessoas invadiram o local. Reinaldo entrou no carro para se proteger, mas foi abordado pelo grupo, que atirou contra ele. Em seguida, os invasores desceram em direção à casa.
Em um áudio enviado a um grupo de vizinhos e amigos, a filha de Reinaldo afirma que homens entraram na propriedade e apontaram armas para as cabeças de todos que estavam no local, pedindo ajuda. A esposa do empresário, em depoimento, disse que os homens armados exigiam o pagamento da negociação de um carro. Em outro áudio, um amigo de Reinaldo relata que o grupo agrediu a mulher, ameaçando-a de morte caso não pagasse o valor do veículo.
O julgamento
O g1 questionou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) sobre o número exato de testemunhas que serão ouvidas nesta nova data, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Na sessão anterior, oito pessoas que prestariam depoimento foram dispensadas.



