O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça negou um pedido da Polícia Federal (PF) para realizar buscas na residência do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), durante a operação que investiga supostas irregularidades em seu governo. A decisão foi tomada mesmo após os investigadores apresentarem imagens que mostram Castro saindo de um escritório com mochilas na véspera da operação, o que poderia indicar tentativa de ocultar provas.
Contexto da Operação
A operação, que não teve seu nome divulgado, foi deflagrada para apurar possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo o entorno do ex-governador. As investigações apontam para um esquema de desvio de recursos públicos, com a participação de empresários e agentes públicos.
Segundo os autos, as imagens captadas pelos investigadores mostram Cláudio Castro deixando um escritório em um prédio comercial na Zona Sul do Rio de Janeiro, carregando duas mochilas de tamanho considerável. O fato ocorreu na véspera do cumprimento dos mandados de busca e apreensão, o que levantou suspeitas de que ele estivesse retirando documentos ou objetos de interesse da investigação.
Decisão de Mendonça
Ao analisar o pedido da PF, o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, entendeu que não havia elementos suficientes para autorizar a medida. Em sua decisão, ele afirmou que as imagens, embora sugestivas, não configuram, por si só, obstrução à Justiça.
“Não vislumbro, ao menos neste momento processual, a presença dos requisitos autorizadores para a medida extrema de busca e apreensão domiciliar, notadamente porque os fatos narrados não demonstram, de forma inequívoca, a existência de obstrução à Justiça”, escreveu o ministro em sua decisão.
Repercussão e Próximos Passos
A negativa de Mendonça gerou reações diversas. Para a PF, a decisão representa um revés nas investigações, pois a busca na residência do ex-governador poderia revelar provas importantes para o esclarecimento dos fatos. Já a defesa de Cláudio Castro comemorou a decisão, afirmando que ela reforça a inocência do ex-governador.
“A decisão do ministro André Mendonça é justa e correta, pois não há qualquer indício de que o governador tenha tentado atrapalhar as investigações. As imagens citadas são meramente especulativas e não têm o condão de justificar uma medida tão invasiva”, disse o advogado de Castro, em nota.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a decisão pode influenciar o andamento do caso, uma vez que a PF terá que buscar outras vias para obter as provas desejadas. A investigação continua em sigilo, e novos desdobramentos são esperados nos próximos meses.
Histórico de Investigações
Cláudio Castro já foi alvo de outras investigações durante seu mandato. Em 2021, a PF deflagrou uma operação que apurava desvios na Secretaria Estadual de Educação, que teriam chegado a R$ 400 milhões. Na ocasião, o governador não foi alvo de mandados de prisão, mas teve seu nome citado em depoimentos.
A atual investigação, no entanto, é considerada mais ampla e pode atingir membros do primeiro escalão do governo. A negativa de Mendonça, no entanto, não impede que a PF continue as apurações e apresente novos pedidos ao STF, caso surjam novas evidências.



