A Polícia Federal aponta que o advogado Daniel Monteiro, operador do Master, repetiu com o senador Jaques Wagner (PT-BA) o mesmo esquema usado no caso do Banco de Brasília (BRB) para ocultar apartamentos de luxo. A informação é de investigadores que atuam nas apurações e foi revelada pela coluna de Malu Gaspar, do Globo.
Segundo os investigadores, Monteiro teria adotado com o senador a mesma estratégia de esconder imóveis de alto padrão repassados por Daniel Vorcaro ao ex-presidente do BRB. A repetição do método chamou a atenção da PF, que agora aprofunda as buscas para confirmar a participação do político baiano na trama de dissimulação patrimonial.
Como funcionava o esquema no BRB
O caso anterior envolvia a transferência de apartamentos de luxo a integrantes da cúpula do Banco de Brasília. Naquele esquema, os imóveis eram adquiridos em nome de terceiros, de modo que o destinatário final não aparecesse nos registros oficiais. A prática configurava ocultação patrimonial e, segundo a PF, era uma forma de remunerar agentes públicos por facilidades na instituição financeira.
Daniel Vorcaro, citado nas investigações, teria sido um dos fornecedores dos imóveis. Agora, a mesma dinâmica é apontada em relação ao senador Jaques Wagner, com o agravante de envolver um representante do povo na suspeita de recebimento de bens ocultos.
O papel do operador Daniel Monteiro
Daniel Monteiro é tratado como operador do Master, um elo entre interesses privados e o sistema financeiro. Sua função seria criar estruturas para receber e transferir imóveis e valores, dificultando o rastreamento. A PF afirma que ele já utilizou empresas de fachada e laranjas em outras oportunidades.
No caso de Wagner, os investigadores suspeitam que o advogado tenha agido para esconder a origem dos apartamentos, possivelmente adquiridos com recursos não declarados. As investigações seguem sob sigilo e dependem de diligências autorizadas pela Justiça.
Impacto político e próximos passos
Jaques Wagner é uma das principais lideranças do PT na Bahia e já governou o estado. Com a revelação, o senador passa a enfrentar novos questionamentos, ainda que até o momento não haja acusação formal. A oposição sinaliza que vai cobrar explicações no Congresso, enquanto aliados pedem cautela.
Como se trata de um senador, eventuais medidas cautelares dependem do Supremo Tribunal Federal, que possui foro para os parlamentares. A Procuradoria-Geral da República deve ser ouvida antes de qualquer decisão sobre o caso. A PF, por sua vez, segue colhendo provas e deve realizar novas diligências para esclarecer a origem dos recursos e a extensão dos repasses.
A coluna antecipou que o conteúdo dos autos está protegido por sigilo, mas as informações obtidas apontam para um padrão semelhante ao já investigado no escândalo do BRB. O desenrolar do caso dependerá das próximas fases da operação e da resposta do senador às acusações que começam a surgir.



